Para quem fechou as portas

Nas últimas semanas temos assistido a aproximação progressiva de uma doença terrível, com cenas de pânico ao redor do mundo, e um horizonte de quebradeira planetária na economia. Várias atividades se sacrificando na exposição ao vírus e para manter a sociedade viva, mesmo que em latência. Porém, alguns sofrem de uma forma mais impactante aqui em nossa cidade: os que tiveram que baixar as portas de seu sustento, comércio e serviços.

Os que atendem diretamente o consumidor pararam em todo o Estado porque promovem a circulação de várias pessoas em um mesmo ambiente, e isso vai de lojas de departamento a instituições de ensino e salões. De fato, são orientações da Organização Mundial da Saúde e das maiores autoridades em epidemiologia e infectologia no Brasil e no mundo que motivaram as proibições. Mas e as contas, os fornecedores, os funcionários, o sustento dos empreendedores?

As consequências da Covid-19 virão e serão duras. Apesar de indústria, agricultura e serviços, que não exigem contato com público continuarem na ativa, a parada do comércio afetará toda a cadeia de bens de consumo. Haverá desemprego e falências. Mesmo se abrirem, as pessoas só vão sair de casa para o essencial. Independente das proibições estadual e municipal, a crise mundial que já existe fatalmente atingirá o consumo, e com isso, os que vivem de vender produtos e serviços.

Lembra-se de agradecer com todos os méritos aos profissionais da saúde, caminhoneiros, funcionários de supermercado, postos de combustíveis e outros que estão se arriscando na lida direta com o público. A verdade é que os mais sacrificados até agora por aqui são os que fecharam as portas: tem o direito de se inquietarem, merecem nossa compreensão. Toda a gratidão e solidariedade aos comerciantes e prestadores de serviços; vocês merecem!


Marcos Rehder Batista, sociólogo, pesquisador em economia industrial

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