Para muitos, 2019 foi o ano da grande perseguição do Estado à cultura. Com a constante justificativa de combate ao viés ideológico, foi com o viés oposto que a gestão se deu.
Primeiro o que era um ministério passou a ser uma secretaria, virando uma pasta do ministério do Turismo.
Com verbas congeladas, o cinema foi o principal alvo. A Ancine sofreu um corte de 40% e corre o risco de ser extinta. Houve redução da Lei Rouanet que antes era até R$60 milhões, caiu para R$1 milhão agora chegou a um teto de R$10 milhões somente para grandes produções.
Assim como na educação, é possível dizermos sim que há uma maioria de visão de esquerda nas duas áreas, onde o ideal seria uma diversidade, mas censura e guerra declarada não são as soluções mais eficientes para incentivo ao tema.
Independente da visão política dos artistas, sou da teoria que é uma indústria que deveria conseguir andar com as próprias pernas. Entendo que o foco do Estado deveria ser nos grupos culturais formados por artistas iniciantes, sem muitas condições financeiras, que façam inclusive um papel social de inclusão, em locais vulneráveis. A visão do Estado, acredito, seria de incentivar esta, como outras áreas (educação, esporte e lazer), para que jovens tenham alternativas ao mundo do crime, que sejam educados com diversidade, tenham acesso ao mais vasto portfolio de conhecimento o possível.
Por isso a importância da gestão municipal. Aqui conseguimos encontrar estes grupos culturais que podem sim transformar a vida de muitos jovens, além de serem palco de novos talentos. Investir no cidadão proporcionando-lhe diversidade de oportunidade é o papel de um governo Estadista, por mais que os resultados demorem a aparecer.
Carol Curimbaba é administradora pela FGV, MBA na FIA e Babson e Empreendedora social. Seu contato por email é [email protected] e pelas mídias sociais @carolcurimbaba




