Dengue: esse é o momento de eliminar os criadouros

(Reprodução)

Com casos de dengue já sendo registrados em pleno inverno, o Estado de São Paulo entra em alerta no combate à doença, assim como São João da Boa Vista e toda a região.

Tida como uma doença do verão, os registros fora do tempo sazonal assustam, mas podem ocorrer. Isso é o que revela o veterinário Roberto Hoffmann, um dos maiores especialistas em zoonoses e saúde pública de toda a região.

“As doenças transmitidas por vetores oferecem um risco maior de ter episódios epidêmicos com elevada transmissão numa determinada área quando você tem uma atividade maior do mosquito. Mas ele não desaparece fora dos períodos de calor e umidades mais elevados. Ele permanece em atividade, só que a reprodução dele é mais lenta e as infestações são muito menores, como está acontecendo”, explica.

Segundo Hoffmann, este é um momento de alerta, pois é quando os ovos estão aguardando o período de maior umidade. “Eles ficam nos criadouros secos. O mosquito não coloca os ovos na água, ele coloca na parede de um recipiente que vai se inundar num determinado período do ano. E esses ovos são resistentes, ficam esperando que o tempo aqueça e a umidade chegue. E chegando a água e o calor, ele vai se desenvolver em grande quantidade e, quando você tem uma elevada quantidade de mosquitos adultos voando, picando pessoas, tem risco de transmissão”, detalha.

O veterinário ainda chama atenção para casos de transmissão fora do período epidêmico. “É um risco você ter uma antecipação de uma transmissão mais elevada quando o calor chegar. Se começar a ter casos em dezembro e janeiro você vai passar o verão inteiro com transmissão elevada e fica difícil controlar, como aconteceu em 2015, quando tivemos epidemia elevada. Quase todo mundo pegou. A transmissão vai ter, a dengue é endêmica, mas podemos diminuir isso”, garante.

Por isso, Hoffmann diz que é importante começar a falar de dengue e se preocupar com os criadouros o ano todo. “Se a gente quer evitar uma epidemia em 2020 precisamos começar a eliminar os criadouros agora, porque eles estão nas casas das pessoas desde o primeiro semestre. Prevenção tem que ser o ano todo”, pede.

Para ele, acabar com os ovos é uma ‘estratégia de guerra’. “Tem que aproveitar o tempo de maior vulnerabilidade do inimigo para destruir o que ele ainda tem de reserva. E é exatamente nesse momento que está tudo desfavorável para ele. Se nos esforçarmos agora atrasamos o início da epidemia. E isso é importante, atrasar o início, para que chegue mais perto do período de frio, que é fim do período sazonal”, reforça.

CICLO
Roberto Hoffmann ressalta que a dengue é uma doença que tem ciclos, permanecendo dois ou três anos com incidência menor e um pico de transmissão.

“Nós estamos pensando que a partir do final do ano já pode começar a ter uma transmissão um pouco mais elevada. E 2020, de acordo com os comportamentos dos ciclos, é esperado um dos picos da doença, que é influenciada por fenômenos naturais”.

Hoffmann garante que a dengue é grave e pode ser ainda mais preocupante em São João e região. “A dengue é grave. Hoje, talvez para São João, até mais grave, pois como tivemos uma população exposta a um tipo de vírus da dengue 1, numa próxima epidemia, com outro tipo de vírus, as pessoas não estarão livres de ficarem doentes. E isso aumenta o risco de alguma reação autoimune de casos mais graves. Uma segunda dengue aumenta o risco de ser hemorrágica, por exemplo”, garante.

Ele sugere que as pessoas sejam vigilantes umas com os outras. “A ideia é uma vigilância do bem. Um ajudar o outro. A sociedade tem que estar unida”.

Por Reinaldo Benedetti.

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