
BRUNO MANSON
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A realização de um show no domingo (28), na Barragem Eduíno Sbardellini, gerou um embate entre o Conselho Municipal do Meio Ambiente (CMMA) e a Prefeitura de Vargem Grande do Sul. Isto se deve ao fato do local abrigar o Zoológico Municipal, espaço que possui diversos exemplares da fauna nacional e também por haver mata nativa com animais silvestres em suas imediações.
No início de julho, o órgão protocolou ofícios junto à Administração Municipal, expressando sua preocupação em relação ao impacto que o som alto poderia causar à fauna local, uma vez que havia sido anunciada a realização de uma apresentação musical na represa e o palco seria instalado bem próximo do Zoo.
Conforme informações do portal da Administração vargengrandense, o espaço abriga um conjunto de 28 espécies diferentes, totalizando 161 animais. São aves como araras, tucanos, papagaios, além dos mamíferos como cotias, quatis, bugios, macacos-prego e o sagui-de-tufos-pretos, entre outros.
OFÍCIOS SEM RESPOSTAS
Em um dos documentos, o Conselho pediu uma análise, parecer e recomendações emitidas pelo Departamento de Agricultura e Meio Ambiente a respeito desta festividade. Já em outro ofício, o CMMA destacou que, embora não tenha sido em nenhum momento consultado pelo Poder Executivo, seus integrantes são expressamente contra a realização de qualquer tipo de evento na Barragem Eduíno Sbardellini que envolva “alteração da condição normal de audição”, devido aos impactos provocados ao meio ambiente e, principalmente, aos animais.
Ainda neste documento, o órgão sugeriu que a Prefeitura mudasse o local onde seria instalado o palco das atrações e até mencionou outras duas áreas na represa como opções, visando minimizar os impactos sentidos pela fauna silvestre.
De acordo com a presidente do Conselho Municipal do Meio Ambiente, Melissa Ranzani, apesar dos apelos feitos, a Prefeitura não se manifestou e negou-se a acatar as recomendações. “O órgão somente percebeu essa decisão devido às estruturas que foram sendo montadas na represa durante a semana da festividade”, relatou.
POLÍCIA AMBIENTAL FOI ACIONADA
Diante da situação, o Conselho procurou a Polícia Militar Ambiental para auxiliar na fiscalização do show e assegurar que o volume do som não fosse abusivo. Durante a apresentação musical, membros do CMMA e de ONGs ambientalistas da região se reuniram com os policiais militares ambientais e o prefeito Amarildo Duzi Moraes para medição dos decibéis e para averiguar o comportamento dos animais. O grupo foi acompanhado pela bióloga Aline Gonçalves e o veterinário Sérgio laan Rocha, ambos da Associação Amigos dos Animais Silvestres de São João da Boa Vista.
Na ocasião, a Prefeitura fechou o Zoológico Municipal para visitação – pois o aumento significativo de visitantes também provoca estresse nos animais – e manteve o som baixo, se comparado com eventos anteriores. Melissa ainda destaca que o ruído estava em torno de 50 a 60 decibéis, ficando dentro dos limites previstos na legislação.
Com essas medidas, a presidente relatou que não foi constatado nenhum sinal de incômodo junto à fauna local. “Embora o conforto dos animais tenha sido considerado, o Conselho pretende buscar meios para que a comunicação entre a Prefeitura e seus membros ocorra de forma mais cordial e eficaz, visando sempre o bem social comum e harmonia entre as espécies”, afirmou.
PREOCUPAÇÃO ANTIGA
Esta não é a primeira vez que a realização de festas na Barragem Eduíno Sbardellini gera preocupação entre os ambientalistas vargengrandenses.
Há alguns anos o município realizava anualmente shows na represa, porém, isso começou a gerar queixas devido à morte de um exemplar de gavião carcará no Zoo. O fato ocorreu em 2011, alguns dias após uma apresentação musical, quando uma fêmea teria matado o macho no viveiro.
Na época, isso fomentou a discussão sobre o impacto do som alto nos animais, porém, a Prefeitura negou que este incidente teria alguma relação com poluição sonora.
Outro problema que foi bastante questionado por frequentadores da represa era com relação à sujeira deixada no local durante esses eventos. Diante de tamanha polêmica, desde 2013 evitou-se fazer festividades de grande porte no local.



