Droga presidencial

Um segundo-sargento da Aeronáutica foi detido na última terça-feira no aeroporto de Sevilha, na Espanha, por suspeita de traficar drogas.

De acordo com o jornal espanhol El País o militar estava com 39 quilos de cocaína. Ele teria sido detido quando os tripulantes e suas bagagens passaram pelo controle alfandegário na chegada ao aeroporto da cidade espanhola.

O militar era tripulante do voo que transportava a equipe avançada de transporte que dava apoio à comitiva do presidente Jair Bolsonaro (PSL).

A comitiva de apoio à equipe presidencial fez escala em Sevilha antes de seguir para o Japão, onde Bolsonaro participará da cúpula de líderes do G20.

O vice-presidente Hamilton Mourão, em entrevista, chamou o militar detido de “mula qualificada”. Mula é o termo usado para descrever quem transporta a droga no tráfico.

Segundo o portal UOL, não é a primeira vez que militares brasileiros são presos por tráfico internacional de drogas. Em 2011, um coronel da reserva foi penalizado com a perda do posto e da patente pelo tráfico de cocaína em aviões da Força Aérea Brasileira. Outros dois oficiais da Aeronáutica envolvidos no caso foram condenados a 16 anos de prisão cada um.

O Ministério da Defesa afirma que o novo caso está sendo investigado e que foi determinada a instauração de um Inquérito Policial Militar.

Como é possível um militar da Aeronáutica entrar em um avião da FAB com quase 40 quilos de cocaína? Não houve revista? Quem facilitou essa entrada? Não havia cão farejador para inspecionar o avião presidencial?

Parece ter havido uma falha grave de segurança do Gabinete de Segurança Institucional, responsável pela proteção de Jair Bolsonaro, e da própria Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Ainda há muito que se esclarecer nesse obscuro caso.


Eduardo Vella é jornalista e escreve em O MUNICIPIO semanalmente, aos sábados.
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