Celebração marca entrega de relíquia de São João Paulo II

Tradição: padre José Grzywacz exibe a relíquia com a amostra do sangue de São João Paulo II – (Foto: Divulgação/Padre José Grzywacz)

BRUNO MANSON
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Em uma celebração especial, o Carmelo Nossa Senhora da Esperança recebeu na manhã de sábado (22) a relíquia de São João Paulo II. Trata-se de uma amostra do sangue de Karol Józef Wojtyła, considerado um dos líderes mais influentes do século XX.

A Missa de Entrega foi celebrada pelos padres missionários redentoristas José Grzywacz e Pedro Gruzdz, ambos poloneses e que auxiliaram a trazer a relíquia do santo ao Brasil.

A chegada da peça ao Carmelo Nossa Senhora da Esperança foi um momento de grande emoção aos fiéis presentes, sendo bastante comemorada pela comunidade católica.

Em entrevista ao jornal O MUNICIPIO, padre José Grzywacz comentou como foi todo o trabalho desenvolvido para obter este material. “Há quase um ano, o meu confrade e amigo padre Pedro Gruzdz, redentorista da Vice-Província da Bahia, veio para morar e trabalhar na Equipe Missionária, aqui em São João da Boa Vista.

Num encontro com as monjas do Carmelo surgiu a possibilidade de trazer as relíquias do santo Papa – São João Paulo II”, afirma. “Na época eu estava de férias na Polônia, por isso era mais fácil encaminhar todo o procedimento. Entrei em contato com o cardeal Stanislaw Dziwisz, bispo de Kraków, que foi o secretário pessoal do Papa durante 26 anos. Era necessário ter o pedido, por escrito, do bispo do local. As irmãs conseguiram o oficio de Dom Antônio. E assim temos aqui as relíquias com o devido documento de autenticidade”, explicou o religioso.

PRIVILÉGIO
Integrante da Equipe Missionária de Salvador (BA), padre José relata que tem um carinho especial por São João da Boa Vista. “Essa é a segunda vez que venho a essa cidade. A primeira foi no ano de 2015, no tempo do padre Almir. O motivo foi o meu interesse pessoal por Mãe do Perpétuo Socorro. Agora, ao convite do meu amigo padre Baptistini, fui privilegiado e convidado para participar da novena em honra da padroeira com o tema: ‘Com a Mãe do Perpétuo Socorro, vamos rezar’. Aproveitando a ocasião, trago as relíquias para as monjas do Carmelo dessa cidade”, comenta. “Sinto -me privilegiado por esse fato, podendo divulgar mais aquele que foi todo consagrado a Maria, com o seu lema ‘Totus tuus ergo sum Virgo Mariae’ – ‘Eu sou todo Vosso, ó Virgem Maria’. Devo lembrar que o bispo Karol Wojtyła – que viria a ser o futuro Papa – passou por duas vezes na minha paróquia de origem, em Desznica. Até hoje conserva-se a mesa e a toalha que ele usou para celebrar a Eucaristia”, recordou o polonês.

RELÍQUIA DE 1º GRAU
De acordo com padre José, desde o século II, a Igreja Católica possui a tradição de venerar as relíquias de santos e santas. Estes materiais são classificados em três graus distintos.

No caso desta peça obtida ao Carmelo Nossa Senhora da Esperança – o sangue de Karol Wojtyła –, trata-se de uma relíquia especial, pois é considerada de primeiro grau. Esta categoria abrange as partes do corpo do próprio santo, tais como cabelo, osso, unha ou sangue, por exemplo.

As relíquias de segundo grau são os objetos pessoais que o santo ou a santa usavam – tais como roupa, batina, estola, hábito religioso, entre outros. Já as relíquias de terceiro grau são os objetos que tinham o contato com o santo ou que foram por ele tocados, como cruz, toalha de mesa, caneta, etc.

PROXIMIDADE
Como mensagem final, padre José destaca a proximidade física do Santuário do Perpétuo Socorro com o convento das Irmãs Carmelitas. “Isso ao meu ver é importante, pois havia uma ligação toda particular do São João Paulo II com Maria, mãe de Jesus e, em especial, com o ícone do Perpétuo Socorro. Esse papa mariano foi batizado na Igreja do Perpétuo Socorro, em Wadowice, na Polônia. Quando jovem, indo ou voltando do trabalho – trabalhava em uma pedreira – sempre entrava e rezava aos pés do ícone do Perpétuo Socorro, na Igreja Redentorista, em Kraków, no sul da Polônia”, relembrou.

“Numa viagem a Austrália para o Congresso Eucarístico, fez a parada em Manila, capital das Filipinas, e foi rezar no maior santuário do mundo, o do Perpétuo Socorro. E em 1991, quando se celebrava os 125 anos da entrega do ícone, pelo Papa Pio IX aos redentoristas, Papa João Paulo II fez a visita ao santuário internacional do Perpétuo Socorro, em Roma – onde está o ícone original – e fez a inesquecível oração: Como o Menino Jesus que admiramos neste venerável Ícone, também nós queremos apertar a vossa mão. A vós não faltam nem o poder, nem a bondade para nos socorrer em todas as necessidades e em cada pedido. Agora é a vossa hora! Vinde, pois, em nosso auxílio e sede para todos refúgio e esperança”, finalizou o padre.

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