Justiça decreta prisão preventiva do filho que matou a mãe a facadas

Flagrante: Victor Sanchez foi preso pela Polícia Militar dentro do apartamento; no detalhe, a professora Lucia Elisa Sanchez (Foto: Divulgação/Carioca/Notícias Policiais)

A Justiça de São João da Boa Vista decretou, na tarde de segunda-feira (6), a prisão preventiva de Victor Sanchez, 32, que confessou ter esfaqueado e assassinado a própria mãe, a professora de espanhol Lucia Elisa Sanchez, 51, na tarde do domingo (5).

O indiciado foi preso em flagrante após desferir pelo menos 50 facadas nas regiões do tórax e costas da mãe por ela ter se recusado a dar dinheiro para que ele comprasse cocaína.

Segundo O MUNICIPIO apurou, após audiência de custódia realizada na segunda, ele foi encaminhado a uma unidade prisional, onde aguardará o processo preso.

O latrocínio – roubo seguido de morte – da professora, bastante conhecida em São João, abalou a população sanjoanense e repercutiu não somente na cidade e região, mas nacionalmente, sendo reproduzido em diversos canais de TV e portais de notícias na internet.

DEPOIMENTO
À reportagem do O MUNICIPIO, o delegado Sérgio Ferreira do Carmo revelou detalhes sobre o depoimento de Victor, que havia usado cocaína na noite anterior [no sábado] e na manhã do domingo, e que, como a droga havia acabado, queria usar mais e ‘entrou num surto’.

Segundo Carmo, o indiciado planejou de pegar o cartão [bancário] da mãe para poder sacar dinheiro e comprar mais drogas. “E, para ele fazer isso, pensou em matá-la”, disse.

O delegado contou que questionou Victor a respeito da forma como praticou o crime. “Ele falou que, se furtasse o cartão, a mãe iria descobrir que foi ele. Então, acabou pensado em matá-la, pegou a jarra, desferiu na cabeça dela e, na sequência, já pegou a faca que já trazia com ele e desferiu vários golpes contra a mãe. Ele não sabia quantos. Daí começou a chorar, saiu, se banhou, trocou de roupa, pegou o carro da mãe e foi até o posto de combustíveis, onde ele afirma que colocou R$ 10 de álcool [etanol] no carro e pediu mais R$ 50 para o frentista. Ele passou o cartão de débito no posto – ele sabia as senhas dos cartões -; […] foi no bairro Santo Antonio, comprou mais cocaína, voltou para casa e continuou usando a droga até a chegada da equipe da Polícia Militar”, afirmou.

Conforme o delegado, Victor expressou arrependimento, “mas a impressão que nós tínhamos é que ele não sabia de fato o que ele tinha feito. Ele ainda estava sob efeito de drogas, surto, disse que estava arrependido, que tinha um bom relacionamento com a mãe, que eram como irmãos, e que também se dava muito bem com o pai”, relatou.

Acerca de ter tipificado o crime como latrocínio, do Carmo disse que assim procedeu porque o indiciado deixou claro que a intenção de matar a mãe foi para roubá-la – pegar o cartão de débito do banco, que ele tinha a senha, fazer o saque e comprar cocaína.

“O latrocínio é um crime hediondo; já tem os agravantes, como o dele ter praticado o crime contra a mãe, a traição, dentro de casa, na habitação familiar. Então, tudo isso vai agravar sobremaneira a conduta e o crime dele. É um crime brutal”, considerou.

O delegado relata, ainda, que em toda a jornada dele a serviço da Polícia Civil, já trabalhou em vários casos de homicídio, inclusive o estupro de filho contra mãe, “mas de um filho matar a mãe com tantas facadas – ainda não recebi o laudo necroscópico, mas a gente sabe que mais de 50 golpes de faca foram desferidos no corpo da vítima, tanto na região do tórax, peito, como na região das costas”, ele não tinha conhecimento. Contudo, acerca do número de golpes, Carmo vai aguardar a contagem e a causa mortis, que serão dadas pelo médico legista do IML (Instituto Médico Legal) de São João.

“Atendi o estupro [ocorrência] de filho contra mãe, à época em Pinhal [Espírito Santo do Pinhal], contra uma senhora com mais de 65 anos, que o filho acabou estuprando porque estava sob efeito de drogas também; já vi caso de um homossexual matar o namorado; mas desse modo, com tanta brutalidade, não tinha atendido ainda”, contou.

“Para mim, é um crime repugnante, chocante, demonstra que a pessoa sob efeito de substâncias entorpecentes, principalmente cocaína e essas drogas sintéticas, perde a noção de si mesma, entra em surto e acaba cometendo delitos dos mais graves e terríveis possíveis”, concluiu.

DEFESA
Ainda na tarde de segunda (6), a reportagem telefonou para o advogado de defesa do indiciado, Divino Gomes dos Reis, mas ele não foi localizado. Na terça (7), Reis, por meio da secretária dele, informou que estava em um compromisso fora da cidade e que falaria com a reportagem nesta quarta-feira (8).

Todavia, ao G1, o defensor já havia adiantado que ainda não teve acesso a toda documentação do flagrante. “Eu já requisitei e o principal: o laudo médico do legista. Nós vamos aguardar e, posteriormente a isso, nós vamos definir uma linha de defesa para ele [Victor]”.

O CRIME
A professora Lucia Elisa Sanchez foi brutalmente assassinada pelo filho Victor no apartamento onde ela vivia, no Condomínio América Central, localizado à rua Atílio André Rubbo, no Parque das Nações, em São João, na tarde de domingo (5).

Segundo a Polícia Militar, depois do crime, os policiais chegaram ao local e o encontraram. Lucia estava na cozinha e com muito sangue ao redor. O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi chamado e constatou o óbito.

Questionado sobre o que teria ocorrido, primeiro ele disse que o namorado da mãe teria cometido o crime.

No entanto, os policiais vistoriaram o apartamento e localizaram algumas roupas de Victor sujas de sangue em um dos banheiros, além de pegadas com sangue por todo o imóvel.
Novamente indagado, Victor confessou a autoria do crime e disse que surtou com a mãe porque ela não queria lhe dar dinheiro para comprar drogas.

Por Ignácio Garcia.

Veja a reportagem sobre o crime em http://www.omunicipio.jor.br/wordpress/2019/05/05/professora-e-assassinada-a-facadas-pelo-proprio-filho-em-sao-joao-da-boa-vista/

 

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