
Na próxima quinta-feira (9), às 20h, no Theatro Municipal, o cantor e compositor Paulinho Tó volta a cena para apresentar um show totalmente diferenciado – ‘Cantos da Revolução dos Cravos’. Os ingressos estarão à venda no local, nos valores de R$ 5 (meia entrada) e R$ 10 (inteira).
“Algumas canções são compostas ainda dentro do regime salazarista, outras durante o processo revolucionário e algumas um pouco depois. Pra dar alguns exemplos de canções do repertório, farei ‘Maio maduro maio’ e ‘Os Vampiros’, do Zeca Afonso; ‘Por este rio acima’ e ‘Um canto pra letrado’, de Fausto Bordalo Dias, entre outras. Terão também canções dos meus dois discos e algumas canções inéditas, ainda não gravadas”, avisa Paulinho, sobre este show, que terá formato voz e violão.
O cantor/compositor esteve recentemente em Portugal, onde realizou o show de seu álbum ‘De cara no asfalto’. “Por indicação de Marcos Lacerda, um amigo pesquisador e crítico de música, ouvi algumas canções desse pessoal e fiquei muito entusiasmado. Apesar da beleza desse trabalho, são compositores praticamente desconhecidos no Brasil. Coincidentemente, no último 25 de abril, a Revolução dos Cravos completou 45 anos e achei que seria um excelente ensejo pra mostrar um pouco desse trabalho por aqui”, conta ele, sobre como surgiu a ideia de ‘Cantos da Revolução dos Cravos’.
A partir deste encontro com Lacerda, Paulinho Tó e Mariana Mayor (que lá dirigiu algumas cenas de peças do período, além de narrativas contextualizando as canções), formataram a proposta desse evento para o TUSP, em São Paulo, e agora, o trazem para São João, com algumas adaptações.
Paulinho lembra que, em sua apresentação no TUSP, a repercussão foi muito boa, com casa cheia e grande envolvimento do público, mesmo que grande parte das canções não fossem, nem sejam conhecidas no Brasil.
“A Revolução dos Cravos foi uma festa popular, em que o povo viveu um clima de entusiasmo e esperança muito grandes e isso se reflete claramente nessas canções. Eles viviam o oposto do que estamos vivendo hoje no Brasil, que, a meu ver, é um período de frustração coletiva e desesperança. Acho que essa dosagem de esperança presente no repertório -ou esse ‘cheirinho de alecrim’, como diz um verso da linda canção do Chico Buarque, feita para a revolução portuguesa- teve efeito, lá no espetáculo do TUSP em São Paulo, de sensibilizar as pessoas. Acho que essas canções e as histórias da Revolução dos Cravos são um alento diante desse momento triste que nós vivemos”, finaliza Paulinho.
Por Daniela Prado.


