Meningite: saiba como preveni-la

A meningite, doença grave que pode ser causada por diversos agentes infecciosos, como bactérias, fungos e vírus, voltou a ser notícia e a preocupar.

Como em alguns casos, pode ser fatal, ouvir falar em meningite sempre preocupa e a reportagem do O MUNICIPIO ouviu os neurologistas Leonardo Lo Duca e Adriano Teixeira de Oliveira, para saber detalhes a respeito dessa doença.

Lo Duca esclareceu que a meningite é uma infecção causada nas membranas que recobrem o cérebro e medula espinhal – as meninges.

“Sua etiologia pode ser fúngica, mais rara, que geralmente compromete imunodeprimidos, viral e bacteriana, sendo as duas últimas, mais frequentes. O modo mais comum de contágio da meningite é através do contato com secreções respiratórias de pessoas infectadas”, explicou Lo Duca.

Ele completou que, ao contrário da crença popular, a meningite não é transmitida com tanta facilidade como a gripe, e que um contato prolongado é necessário para o contágio. Familiares, colegas de turma, namorados e pessoas que dividem o mesmo dormitório são os que estão mais sujeitos a esse contágio, sendo que a meningite pode ainda ser transmitida pela saliva.

(Reprodução/Globoplay)

O neurologista lembrou também que contatos ocasionais, como apenas um cumprimento, uma rápida conversa ou permanecer no mesmo ambiente por pouco tempo oferecem pouco risco.

“Mesmo que, durante uma aula, você se sente ao lado de alguém infectado, se esta exposição for menor do que seis horas, o risco de contágio é baixo. As bactérias não sobrevivem no ambiente, não sendo necessário isolamento dos locais onde foi registrado algum caso. Fechamento de escolas e salas de aula são desnecessários e só servem para causar pânico na população”, enfatizou.

E apontou que a transmissão da meningite bacteriana pode se dar sem envolvimento entre pessoas – raramente, algumas infecções das vias áreas, como sinusites e otites podem complicar, evoluindo para acometimento das meninges.

“Usuários de drogas endovenosas ou pacientes com traumatismos cranianos, em que há exposição da meninge, também encontram-se sob risco de desenvolver meningites”, concluiu.

Como diagnosticar e tratar precocemente

O médico neurologista Adriano Teixeira de Oliveira destacou que os sintomas da meningite são diversos e complexos, sobretudo porque se confundem com os sintomas de outras doenças, mas febre, náuseas e vômitos, moleza no corpo (astenia), dor de cabeça e dor no corpo são os mais frequentes. Conforme o quadro evolui, podem aparecer convulsões, confusão mental, sonolência e até coma.

“Ao exame clínico, o que devemos destacar é a rigidez nucal, presente na maioria dos casos e é um teste que sempre deve ser realizado pelo médico que está avaliando o paciente”, justificou Oliveira.

Com relação às diferenças entre a meningite viral e bacteriana, ele esclareceu que as virais normalmente são mais brandas, de melhor evolução e menor gravidade, com exceção à causada pelo Vírus da Herpes, que pode ser muito grave.

“As meningites bacterianas normalmente causam sintomas mais intensos e têm evolução mais rápida do que as virais. Além disso, as bactérias são mais propensas a atingir a corrente sanguínea e com maior frequência geram septicemia (o que ocorre quando a bactéria se espalha pelo corpo todo, pelo sangue). Esse quadro é muito grave e pode levar à morte, pois indica que a resposta imunológica da pessoa não está conseguindo combater adequadamente a bactéria em questão. Além disso, há o risco de haver uma resposta não satisfatória ao uso de antibióticos”, alertou.

Segundo ele, a prevenção das meningites pode ser realizada com a manutenção de uma boa alimentação e hidratação, boa qualidade de sono e cuidados físicos, que sempre melhoram a imunidade.

“Evitar contato direto, sobretudo com secreções emitidas por pessoas doentes (que estejam com tosse e/ou espirros), principalmente se a sua imunidade não está boa, também é importante. Se for o caso, deve-se usar máscara de proteção. Tomar as vacinas contra estes micro-organismos que causam as meningites é o melhor meio de se prevenir, pois a maioria dos agentes causadores das meningites, principalmente os mais comuns e frequentes, possuem agentes de imunização – Vacinas”, finalizou.

Por Daniela Prado.

COMPARTILHAR

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here