Lamento ter me ausentado por duas semanas desse nosso espaço de reflexão sobre desenvolvimento profissional. Resultado da correria para poder participar do maior Congresso sobre Tecnologia aplicada ao Aprendizado do Planeta: ATD Tech Knowledge.
Esse ano, ele aconteceu em West Palm Beach, Flórida, nos Estados Unidos. E a constatação óbvia, depois de digerir a enorme massa de dados e informações a que fui exposto, é que a área de treinamentos não escapou da revolução que a tecnologia vem promovendo no mundo. Pude observar, debater com especialistas e interagir com algumas ferramentas que estão mudando o panorama da educação. Algumas são simples mas extremamente úteis, como um aparelho que transforma um tablet ou um celular num estúdio de gravação profissional, possibilitando a qualquer professor, produzir vídeos de alta qualidade em qualquer lugar, para depois usar como instrumento de reforço as suas aulas. Outras são bem mais sofisticadas, como um óculos de imersão associado a um programa de inteligência artificial que permite treinar um líder, que ao dar orientações para um liderado virtual, pode, depois, receber observações sobre sua performance e dicas sobre como melhorar. Esse mesmo equipamento permite a um bombeiro entrar num ambiente simulado de uma casa pegando fogo para aprender identificar riscos e estratégias de ação que seriam impossíveis de treinar em uma situação real.
Mas o que mais me chamou a atenção é que todas as vinte conferências das quais eu participei foram no formato tradicional. Um conferencista falando, apoiado por uma apresentação de slides e interagindo com os espectadores. Se em um evento destinado a tecnologia aplicada ao aprendizado, o principal instrumento de transmissão de conhecimento foi um ser humano dentro da abordagem convencional, é razoável defender a hipótese de que, ainda que as máquinas tenham seu lugar, nós, humanos, ainda seremos os protagonistas no tema. Isso não significa que tudo continuará igual. O que pude ver é que cada vez mais os professores, treinadores e mediadores terão várias ferramentas para enriquecer o aprendizado e que aqueles que não se alinharem, perderão espaço. Mas, pelo menos por enquanto, a desumanização do processo educacional parece longe. Ainda bem!

Yuri Trafane
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