O projeto que visa proibir o uso e a comercialização de canudos de plástico em São João da Boa Vista deve ser votado pelos vereadores na sessão desta segunda-feira (25). O documento já deveria ter sido avaliado pelos edis na última reunião, entretanto, foi retirado da pauta pelo próprio autor, Sebastião Neris (PV).
A proposta já foi aceita pelo Legislativo em primeira discussão, no ano passado. A votação ficou para 2019 devido a um pedido de sobrestamento (adiamento) realizado na oportunidade. Caso o projeto seja aprovado de maneira definitiva, ele será enviado ao prefeito Vanderlei Borges de Carvalho (MDB). Se sancionado pelo chefe da administração municipal, a medida passa a valer na cidade em forma de lei.
Neris, após a aprovação em primeiro turno, salientou o alto tempo de decomposição do canudo de plástico, o que causa danos ao meio ambiente. O edil destacou que a cidade seria pioneira ao aprovar o projeto e se tornar referência a outros municípios da região e do Estado de São Paulo.
“O canudo de plástico causa danos ao meio ambiente, pois a decomposição leva 100 anos. Ele pode ser substituído por produtos desenvolvidos com outros materiais, por isso é importante que a gente pense no meio ambiente e aprove essa lei. São João é uma cidade que cresce cada vez mais e devemos ser exemplo para outros municípios. A aprovação fará com que São João seja uma das pioneiras no Estado de São Paulo com a implantação desta medida”, explicou ao O MUNICIPIO.

EM VIGOR E ALTERNATIVAS
O Rio de Janeiro é uma das cidades do Brasil que já aprovou uma lei semelhante. E mesmo antes da adesão da capital carioca à proibição, grandes grupos como Starbucks, McDonald’s, American Airlines, Disney e Marriott, por exemplo, anunciaram que já começaram a fazer a transição do plástico para outros materiais e que pretendem abandonar a resina definitivamente nos próximos anos.
Com as empresas se antecipando à legislação para atender à mudança de hábito do consumidor, os fabricantes de canudos de plástico começaram a buscar soluções para adequar a produção a um novo perfil de demanda. Paralelamente, pequenos empreendimentos têm investido no desenvolvimento de materiais alternativos, como acessórios feitos de vidro, bambu, metal e até mesmo papel.
Prefeitura e Sabesp afirmam que material não é problema na cidade
Com a iminente votação do projeto que prevê a proibição do uso e comercialização de canudos de plástico em São João da Boa Vista, O MUNICIPIO questionou Prefeitura de São João – responsável pela limpeza de bueiros e galerias pluviais na cidade – e Sabesp – empresa que realiza distribuição e saneamento de água no município – sobre possíveis problemas causados por este tipo de material na cidade.
A administração municipal, por meio do Departamento de Obras, informou ao O MUNICIPIO que não há registro de demandas relativas a limpezas de bueiros obstruídos por canudos de plástico em São João da Boa Vista.
Já a Companhia de Saneamento revelou, através de fontes ligadas à empresa na cidade, que os materiais só causariam algum tipo de problema se os sanjoanenses os despejassem no vaso sanitário e acionassem a descarga.
COMERCIANTES
Em contato com a reportagem, alguns vereadores revelaram voto contrário ao projeto que entrará em pauta nesta segunda-feira (25) devido à falta de estudos realizados em seu desenvolvimento. De acordo com os edis, os dados sobre o impacto causado por canudos em São João da Boa Vista deveriam ter sido pesquisados.
Além disso, eles salientam a falta de viabilidade da proibição por conta de afetar diretamente os comerciantes, que irão ter que desembolsar alto valor para adquirir canudos produzidos por outros materiais.
“O valor será repassado ao consumidor. Outro problema é que os copos de plástico continuarão sendo utilizados, ou seja, os copos de plástico serão distribuídos no lugar dos canudos. Os produtos industrializados também são um problema, pois sucos e achocolatados, por exemplo, já vêm de fábrica com canudos de plástico. Projetos proibitivos como esses necessitam de mais estudos e dados que justifiquem a sua aprovação”, destacou um dos vereadores.
Por Franco Junior.



