A pequena Melissa Ferreira Campanaro, de apenas 5 anos, corre sérios riscos de até mesmo morrer após o governo do Estado de São Paulo não entregar à sanjoanense um medicamento que lhe foi garantido por determinação da Justiça.
Melissa sofre de uma grave disfagia, que faz com ela não consiga deglutir (engolir) alimentos e nem mesmo a saliva e secreções bucais. Com isso, ela alimenta-se exclusivamente por sonda e precisa do medicamento Scopoderm TTS para diminuir a produção de saliva e secreções, o que diminui o risco de engasgamento.
No entanto, há seis meses o governo do Estado, representado na cidade pela DRS (Diretoria Regional de Saúde), não entrega o remédio aos pais de Melissa, o professor Adilson Ferreira Campanaro e Andreia Ferreira Campanaro – que se dedica em tempo integral aos cuidados da filha.
Os pais da menina estiveram, nesta semana, na redação do O MUNICIPIO pedindo socorro, pois não sabem mais o que fazer. “Nem com determinação judicial estamos conseguindo os remédios, que são caros”, disse a mãe.

O Scopoderm TTS, por exemplo, é um adesivo que é colado na região das glândulas salivares e que custa aproximadamente R$ 450 cada caixa. “Ela precisa de duas caixas desse adesivo por mês. Depois de uma longa batalha e só por meio judicial, é que a DRS passou a fornecer este adesivo, além de outros medicamentos que ajudam no tratamento da Melissa. Porém, faz seis meses que o Estado não entrega os adesivos e os demais medicamentos vivem atrasando, o que tem colocado em risco a vida da Melissa”, contou Andreia.
Adilson revelou ainda que o gasto com a filha tem sido de aproximadamente R$ 2.500 por mês, incluindo todos dos remédios e materiais que ela necessita. “Apenas eu que trabalho, sou professor. Não tenho condições de manter todos estes gastos e não sei mais o que fazer. Se não fosse a ajuda de muitos amigos, a Melissa já estaria sem os remédios e poderia ter muitos problemas”, afirmou o pai, que ressalta que tudo que o Estado fornece teve que ser através da Justiça.
PARA ENTENDER
Desde 2016, Melissa Ferreira Campanaro precisa de medicamentos especiais para o seu dia-dia. Depois de uma grande batalha para consegui-los de maneira gratuita por meio da farmácia da DRS (Diretoria Regional de Saúde) outro problema ocorreu: a falta do remédio no estoque do órgão do governo do Estado de São Paulo.
A distribuição dos medicamentos pela farmácia da DRS só foi possível, como explicam os pais de Melissa, através da Justiça.
Após conseguirem tratar da criança com essa determinação desde junho de 2017, há seis meses o principal dos remédios não está sendo mais fornecido à Melissa, mesmo com a decisão judicial.
NOVA TENTATIVA
Adilson relembra que já tentou por várias vezes contato tanto diretamente com o governo estadual quanto com a DRS, para entender o motivo de os adesivos não estarem sendo mais distribuídos.
“Já mandei vários e-mails para a secretaria estadual da saúde e eles me responderam que iriam verificar o caso, mas foi só essa resposta, nunca mais me disseram nada. Toda a vez que mando email para a DRS, não obtenho resposta alguma. Só uma vez me responderam e disseram que esses adesivos eram importados e eles estavam com dificuldade de importá-los. No entanto, nós sabemos que são vendidos no Brasil, tanto é que nós estamos comprando com ajuda de amigos em Ribeirão Preto”, disse indignado.
Devido à falta de respostas e do medicamento, Adilson e Andreia chegaram a fazer até mesmo um boletim de ocorrência denunciando o caso. Além disso, os pais comunicaram à Justiça esta semana e também ao Ministério Público o ocorrido e os órgãos iriam oficiar a DRS para que o governo volte a fornecer o medicamento.
“Fomos falar com o promotor de Justiça [Donisete Tavares Moraes de Oliveira] e explicar o caso. Ele me garantiu que, assim que tiver a petição que fizemos nas mãos dele, a DRS terá obrigatoriamente 48 horas para resolver situação. É questão de tempo para que ele dê esse prazo, pois a petição já foi protocolada e deve estar para chegar até ele”, afirmou Adilson.
POSIÇÃO DO ESTADO
A Coordenadoria de Assistência Farmacêutica disse em nota que a compra do remédio Scopoderm TTS foi concluída. Entretanto, alega que por se tratar de medicamento importado, o processo de aquisição requer o cumprimento de uma série de etapas, incluindo autorizações de importação pela Anvisa e desembaraço alfandegário por parte da Receita Federal, entre outras. “Os responsáveis pelo paciente serão informados tão logo o medicamento esteja disponível para retirada”, concluiu o Poder Público Estadual.
Por Franco Junior.





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