Não é de hoje que os moradores de São João da Boa Vista convivem, principalmente nas praças do Centro da cidade, com a presença de mendigos e moradores de rua. Atualmente, a praça Coronel José Pires é a que possui maior concentração de andarilhos, segundo comerciantes próximos ao espaço público.
Em dados recentes divulgados pela Prefeitura de São João, cerca de 20 moradores de rua estavam na cidade. E vários fatores levam estas pessoas a optarem pelas ruas do que tentarem obter trabalho e residência. Conflitos familiares, desesperança com o sistema econômico e político e o próprio desemprego são alguns dos causadores deste problema.
Talvez o principal motivo, entretanto, pelo menos no caso dos andarilhos de São João da Boa Vista, é o fato de conquistarem dinheiro fácil para saciarem o vício ao álcool e às drogas.

Como ficam, em sua maioria, nas praças centras da cidade, os moradores de rua abordam os habitantes sanjoanenses que passam pelo local e pedem dinheiro. Na maioria das vezes o pedido é atendido.
Em meados de 2015, para tentar impedir que essa doação ocorresse, ACE (Associação Comercial e Empresarial) e Conseg (Conselho Comunitário de Segurança) iniciaram no município, com apoio da prefeitura, a campanha “Não dê esmolas, dê cidadania”.
O intuito da ação era fazer com que o sanjoanense pensasse duas vezes antes de doar algum valor em dinheiro para mendigos que pedissem tal ajuda. Isso é necessário devido ao fato da esmola se tornar um reforçador positivo para que o morador de rua não quebre o vínculo com sua condição, uma vez que, com o valor, ele pode comprar bebidas alcoólicas e, até mesmo, drogas.
PREFEITURA
Em meio aos problemas com esse tipo de morador na cidade, a prefeitura realiza diversas ações para tentar resolver o problema. A diretoria de Assistência Social remeteu esta semana à Assessoria de Trânsito e Segurança o relatório de atividades desenvolvidas pelo departamento no ano de 2018, em parceria com a Polícia Militar, no âmbito da Operação Delegada.
Em 12 meses, o trabalho da Polícia Militar e da equipe da Assistência Social contabilizou a inserção de 16 pessoas no programa Ressocializar, cujo objetivo é promover a reintegração social de indivíduos em situação de rua.
Por meio de iniciativas como o “Papo com Café” e “Mutirão Social”, foram realizadas, segundo a prefeitura, 17 internações psiquiátricas e oito encaminhamentos para tratamento de dependência química em clínicas especializadas.
No período, a prefeitura destaca que forneceu 423 passagens de ônibus para que pessoas em condição de vulnerabilidade social pudessem retornar às suas cidades de origem.
Ainda, durante as abordagens, a Polícia Militar capturou um procurado pela Justiça, cinco pessoas foram atendidas em programa de moradia e outras quatro conseguiram emprego formal.
Segundo Eliane Rossi, diretora do Departamento de Assistência Social, o Ressocializar demanda ações integradas com a sociedade civil, setores da própria prefeitura, como Saúde, Meio Ambiente, Cultura, Turismo e Educação, e Polícia Militar. “Nosso trabalho busca dar visibilidade a quem está invisível, dar oportunidade de uma vida digna a estas pessoas em situação de rua”, afirmou.
PROGRAMA RESSOCIALIZAR
O Ressocializar é um espaço socioeducativo para fins de reinserção social de indivíduos em situação de rua. As etapas do programa consistem em acolhida e desenvolvimento de plano Individual de atendimento, levando em consideração as especificidades de cada participante.
Entre suas atribuições está o encaminhamento a serviços de saúde – CAPS AD (Centro de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas) ou CAPS II, Mutirão Social e Albergue Noturno.
OPERAÇÃO DELEGADA
A Operação Delegada foi oficializada em 2015 no município, por convênio entre a prefeitura e o 24º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPM-I). Para o seu desenvolvimento, a administração municipal responde pela remuneração de policiais militares em dias de folga.
Em contrapartida, são destacadas três viaturas a mais para atuar em conjunto com os agentes municipais de fiscalização e assistência social, em ações específicas envolvendo pessoas em situação de rua.
Por Franco Junior.




