Empresário de Rio Pardo e familiares continuam desaparecidos

O empresário de São José do Rio Pardo Adriano Ribeiro da Silva, 61, sua esposa Maria de Lurdes da Costa Bueno, 59, seus dois filhos, Luiz Taliberti, 31, Camila Taliberti, 33, e a nora, Fernanda Damian de Almeida, 30, continuam desaparecidos.

Os cinco estavam na Pousada Nova Estância, em Brumadinho/MG, a qual foi devastada pelos rejeitos vindos do rompimento da barragem I da Mina Córrego do Feijão, da Vale.
Familiares e amigos da família ainda têm esperança e acreditam que todos possam estar ilhados em alguma parte da área.

Empresário, esposa e os dois filhos – (Foto: Reprodução/Facebook)
Fernanda Damian de Almeida, 30, está grávida de 5 meses e entre os desaparecidos – (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)

“A irmã da Maria de Lurdes foi para Brumadinho. Estou em contato direto com ela. A expectativa da família é que eles estejam ilhados em qualquer lugar. A família acha que na hora, eles não estavam na pousada porque faziam algum passeio. É a grande esperança de todos”, disse ao G1 Beatriz Martinelli Mathias Duarte, que trabalha como corretora de imóveis na imobiliária do empresário, em São José do Rio Pardo, há dez anos.

Beatriz contou que Adriano, além de dono, é corretor e avaliador. A esposa dele, Maria de Lurdes, também é corretora no local. “Sou muito amiga deles. O último contato foi com a Malu, por volta do meio-dia, na sexta-feira. Ela falou que estava tudo ótimo, que estava gostoso, que estavam aproveitando. Precisei mandar assuntos da imobiliária para ela pelo WhatsApp às 12h12, mas aí ela já não respondeu mais”, contou a funcionária.

Os moradores de Rio Pardo estão preocupados. Na imobiliária, clientes chegam em busca de notícias. “Estamos tentando passar algumas informações. São pessoas que todo mundo gosta, tanto que a cidade está assustada com o que aconteceu”, contou a corretora de imóveis.

Por Reinaldo Benedetti.

Moradores do Sul de Minas temem possíveis rompimentos

O rompimento da barragem em Brumadinho (MG) fez com que os habitantes de cidades do Sul de Minas Gerais passassem a temer que o mesmo tipo de situação possa ocorrer nas barragens presentes em diversos municípios.

Isso porque Minas Gerais tem hoje 698 barragens cadastradas na Fundação Estadual do Meio Ambiente. No Sul de Minas são 45 em sete cidades. Essas barragens passam por auditoria da ANM (Agência Nacional de Mineração), que determina se elas estão em situação estável ou não.

E duas barragens em Caldas (MG), conforme publicação do portal G1, não têm garantia de segurança da Agência Nacional de Mineração. De acordo com o órgão, uma auditoria atestou falta de dados e documentos técnicos. No município, as barragens são de responsabilidade das Indústrias Nucleares do Brasil (INB) e estão no cadastro da Fundação Estadual do Meio Ambiente (FEAM).

Outras seis cidades do Sul de Minas, além de Caldas, possuem barragens. Poços de Caldas é a cidade com maior número de barragens, sendo 17, seguida pelos municípios de Guaranésia (6), Nazareno (6), Passos (6), São Tiago (6) e Fortaleza de Minas (2).
No entanto, todas passaram pela inspeção da ANM, o que significa que elas possuem garantia de estabilidade e não correm risco de rompimento. (R.B)

Tragédia em Brumadinho poderia ter sido evitada, diz juíza

Na decisão que determinou a prisão de funcionários e engenheiros ligados à barragem da Vale que se rompeu em Brumadinho (MG), a juíza Perla Saliba Brito declarou que o desastre poderia ter sido evitado.

A magistrada lembrou que três dos presos – um funcionário de Vale e dois engenheiros de uma empresa alemã – assinaram declarações de estabilidade das barragens, “o que a tragédia demonstrou não corresponder o teor desses documentos com a verdade”.

Para a juíza, não é possível acreditar que “barragens de tal monta, geridas por uma das maiores mineradoras mundiais, se rompam repentinamente, sem dar qualquer indício de vulnerabilidade”.

Área de mata onde ficava a pousada Nova Estância, em Brumadinho (MG), virou um rio de lama — (Foto: Reprodução/TV Globo)

Brito determinou as prisões na noite de domingo (27) e os mandados foram cumpridos nesta terça-feira (29), quatro dias após a tragédia que deixou dezenas de mortos e centenas de desaparecidos.

Os cinco presos ficarão em reclusão temporariamente por 30 dias, prazo que pode ser prorrogado por igual período, segundo a juíza. Eles serão investigados pela prática, “em tese”, de homicídio qualificado, crimes ambientais e falsidade ideológica, segundo a magistrada.

A juíza ainda indicou que poderia ter ocorrido negligência por parte dos funcionários que atestaram as condições da barragem. (R.B)

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