Os carros do Queiroz

Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, filho do presidente eleito Jair Bolsonaro, finalmente apareceu. Em uma entrevista “ensaiada”, dada para o SBT, ele explicou a movimentação atípica em sua conta pessoal. Disse ser devido à compra e venda de carros. E ainda afirmou ser um “cara de negócios”.

O nome de Queiroz apareceu em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) sobre movimentações financeiras atípicas de funcionários e ex-funcionários da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ). No caso de Queiroz, a movimentação foi de R$ 1,2 milhão durante um ano, segundo o COAF. O valor movimentado é absolutamente incompatível com sua renda.

Queiroz não compareceu às duas convocações do Ministério Público alegando problemas de saúde. Porém, ao SBT, quando confrontado, disse que só responderia ao MP.

Ele não deu nenhum esclarecimento convincente sobre o caso. Na verdade, a entrevista pouco acrescentou, pois a repórter foi muito pouco incisiva nos questionamentos. Ele deixou muito mais dúvidas do que respostas.

Existe coincidência entre datas de pagamentos dos salários pela Assembleia Legislativa do Rio, depósitos na conta de Queiroz feitos por outros funcionários do gabinete de Flávio e saques em dinheiro feitos pelo ex-assessor. Isso, ele não explicou. Outra dúvida: se ele é um homem de negócios bem sucedido, como sugeriu na entrevista, porque precisou pedir R$ 40 mil emprestados para Jair Bolsonaro?

Essa história fede. As investigações, se aprofundadas, levarão a caminhos que farão o Palácio do Planalto tremer. Quem viver, verá.

Eduardo Vella é jornalista e escreve em O Município semanalmente, aos sábados.
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