A Biblioteca Municipal Jaçanã Altair, que ocupava o prédio central que leva o nome de Patrícia Rehder Galvão, a Pagu, já foi totalmente transferida para o Parque Urbano Municipal Espaço Jovem Osmar Garcia, popularmente nominado de Cidade das Artes.
Localizado no Ceagesp, o espaço é bastante amplo e a Biblioteca Jaçanã Altair ocupa um dos prédios deste novo complexo.

Robinson Mietto, bibliotecário responsável, explica que com a mudança a biblioteca terá múltiplas funções. “Biblioteca hoje não tem mais aquela função de guardar livros. Hoje, como as grandes bibliotecas no mundo, é um lugar de ambiência. Então funciona como um coworking, o pessoal vem e trabalha aqui, se ajudam. Um lugar de fomento de atividade cultural, um lugar onde as pessoas vêm para resolver problemas, fazer um currículo, para fazer um curso de corte e costura, palestras”, detalhou.
E a arquitetura do novo espaço ainda permitiu a criação de espaços diferenciados. Um exemplo será uma sala infantil, de leitura para as crianças. Também haverá na biblioteca uma sala de estudos e reunião.
Questionado sobre o enorme acervo da biblioteca, de mais de 30 mil livros, Robinson garante que ele estará lá integralmente. “As estantes e os livros servem como apoio. Tem que existir até mesmo para criar o cenário, o cenário do conhecimento”.
Sobre a previsão de abertura da biblioteca no novo espaço, o diretor de cultura Hélio Correa da Fonseca Filho diz que não é possível prever, pois existem questões burocráticas a serem resolvidas que não dependem apenas da Prefeitura.
Por Reinaldo Benedetti
Jaçanã Altair: a artista da música, do cinema e da poesia
A história desta renomada artista sanjoanense passa muitas vezes despercebida na sua própria cidade natal.
Inúmeros sanjoanenses nem mesmo sabem que a biblioteca municipal leva o seu nome. Acreditam que se trata de uma homenagem a Patrícia Rehder Galvão, a Pagu, que na realidade dá nome apenas ao imóvel onde estava a biblioteca.

No entanto, ao conhecer a vida de Jaçanã Altair todos se surpreendem com o enorme talento que essa sanjoanense possuía.
Nascida em São João da Boa Vista em 19 de julho de 1904, ela é filha de Natanael Pereira e Lília Soares Pereira. Casou-se em 1925 com Leandro Guerrini, em Piracicaba, lá fixando residência. Formou-se professora em São Paulo e sempre foi professora primária.
Introduziu o Teatro de Bonecos nas escolas. Foi poetisa, articulista, contista e oradora.
Artista, amou profundamente a música e o canto, pois possuía bela voz de soprano. Tocava piano, violino, harmônica, violão e bandolim. Foi também professora de esperanto e escritora.
Escreveu muitos livros, entre eles os infantis: Caminhando com as Estrelas e Ursinho Curioso em 1939. Escreveu as novelas Memórias de um colegial e Felipe, é você Felipe?, sobre o folclore e a lenda da Vitória Régia.
Escreveu também a novela Rosas em flor e uma biografia de Castro Alves chamada Uma Estrela no Céu está Cantando em 1951. Escreveu o romance João Negrinho que, em 1958, tornou-se roteiro do filme de mesmo nome.
A cidade de Piracicaba homenageou-a, dando seu nome a uma escola pública que hoje chama-se Escola Estadual Professora Jaçanã Altair Pereira Guerrini. Sua cidade natal São João da Boa Vista deu seu nome à Biblioteca Municipal. Faleceu em Piracicaba em 8 de março de 1969.
É patronesse da Cadeira nº 4 da Academia de Letras de São João da Boa Vista, cuja titular é Maria Oliveira Costa, a professora e vereadora Can. (R.B.)



