Perto de completar três meses em que inúmeras imobiliárias de São João da Boa Vista denunciaram terem sido alvos do golpe do seguro caução, supostamente praticado pela A & MM Corretora de Seguros, o responsável pela empresa, Airton Fuentes Molina, procurou a reportagem do O MUNICIPIO para dar a versão dele quanto aos fatos.
Ele afirma que sempre permaneceu na cidade desde que as denúncias vieram à tona e que, desde então, também vem sofrendo ameaças.
Molina responde, a princípio, a pelo menos dois processos na Justiça local pelo crime de estelionato. As ações são oriundas de ao menos seis inquéritos policiais instaurados contra ele em junho, depois que alguns donos de imobiliárias e administradoras registraram boletins de ocorrência junto à Polícia Civil denunciando que eles e dezenas de locatários teriam sido vítimas do golpe, com prejuízo estimado em aproximadamente R$ 1,5 milhão.
Com apoio de uma bengala e aparentando certa fragilidade em decorrência de problemas de saúde e de agressões sofridas pelo próprio filho há quase dois meses, Airton Molina conversou com a reportagem e confirmou, sob orientação da advogada que o representa, Sandra Maria Celli Nogueira, que ao menos dois processos contra ele estão em andamento e que entrou com embargo contra todas as imobiliárias e administradoras, em 12 de julho, por suposta corresponsabilidade.

“Foi entrado com embargo contra todas as imobiliárias, onde o juiz acatou, e as próprias companhias de seguro acataram e ‘colaram’ a mesma defesa da minha advogada; da corresponsabilidade. Por que? Os documentos eram solicitados por eles (imobiliárias e administradoras), enviados por e-mail por eles, imprenso por eles, colhidas às assinaturas por eles – dos inquilinos -, assinados e endossados – e reconhecido firma – por eles. Eu não tenho nenhum documento original. Isso ficava tudo no poder deles. São corresponsáveis”, relatou.
Molina explica o porquê entrou com embargo. “Porque foi divulgada essa notícia; e o processo que eles (imobiliárias e administradoras) estavam entrando, eles criaram um ‘modus operandi’, como está na defesa, como se eles tivessem combinado e criado um consórcio: ‘olha, vamos fazer desse jeito’ – porque eu era o elo mais fraco. E eu acredito que eles estavam visando o quê? Que as companhias iam ressarci-los. Quando não! Elas mesmas os acusaram de corresponsáveis e demonstraram isso; e isso está nos autos dos processos”, afirmou.
Questionado a respeito dos motivos que levaram os donos de imobiliárias e administradoras a denuncia-lo, ele alega: “Com o advento desses problemas familiares, com meu pai (morte), doença onde me afastei um pouco e tive minha cirurgia (remoção de um rim e de parte do intestino em consequência de um câncer), tive alguns atrasos de pagamentos de comissões com eles, tá?! E eles, com medo de que não fossem receber a parte que lhes cabia, tomaram esta medida”, disse.
“Existe aí alguma incoerência. Primeiro, eu não sumi da cidade; segundo, de todos, o que está passando necessidade financeira sou eu, o que não tem uma casa própria sou eu, o que não tem um carro próprio sou eu; esse dinheiro todo ficou comigo? É uma incoerência”, contou.
Molina se questiona: “O que eles esperavam? Que as seguradoras fossem… ‘não, deixa que vou pagar pra vocês!’… a seguradora falou ‘não, não vou pagar nada!. Vocês são corresponsáveis, vocês receberam, nos autos têm os TEDs (modalidades de transferência bancária de valores) que foram feitos para vocês. Então, vocês são responsáveis de parte.’ A parte que me cabia, vamos supor, que chegava a 30%, 40 ou 50% do que fosse, nos embargos, foi colocada a parte de um imóvel, ‘né?!’, que está no inventário (por conta do falecimento do pai). A minha parte foi dada como garantia e foi aceita, por todos. Então, uma vez aceita por todos, assumida a dívida por todos perante os inquilinos. Por que? Eles estão garantidos. Então, os inquilinos é que têm que receber das imobiliárias. E é essa orientação que minha advogada está passando para os inquilinos e que me passou. A Justiça acatou”, disse.
Quando desencadeou a atuação de Molina no mercado
Airton Fuentes Molina garante que jamais se identificou como corretor de seguros. “Eu nunca me apresentei como corretor de seguros. Sou angariador e sempre todos souberam que o corretor oficial era meu pai, que faleceu em novembro de 2017. Eu era simplesmente um angariador”, disse.
Segundo ele, desde que começou a atuar no mercado de seguros, atuava em todos os ramos, oferecendo seguros de veículos, empresarial, imobiliário, pessoal – seguro de vida -. “Tanto que, fora deste segmento de imobiliária, nunca tivemos problema nenhum”, afirmou.
Em 2013, relata Molina, duas salas foram oferecidas dentro de uma imobiliária de São João. “Existia um contrato, onde ele (proprietário da imobiliária) não me cobrava aluguel, mas eu passava a comissão para ele e ajudava a pagar alguns custos de luz (energia elétrica), de encargos, essas coisas. Com o crescimento do negócio, acabei saindo de lá; eu atuava, a princípio, em outros segmentos, não nesse imobiliário”, alegou.
A partir daí, afirma ele, criou-se a ideia de que os títulos de capitalização seriam garantias boas para se oferecer e substituir fiadores, mas que, porém, o rendimento deles era muito baixo. “Ficou acertado com todas essas imobiliárias parceiras, onde eles receberiam dividendos e comissão sobre isso. Sempre paguei e existe comprovação de pagamento e, também, testemunho de pagamento em espécie. Muitas vezes, foi mandado dinheiro em espécie para eles”, disse.
Sobre a informação de que teria aberto uma conta corrente em nome dele, Molina rechaçou e disse: “não era conta no meu nome, era conta da empresa, da A& MM Corretora de Seguros Ltda. E, como consta nos autos, anexo aos autos estão todos os TEDs que foram pagos às imobiliárias ou direto aos inquilinos. Nos autos, nenhuma pessoa é tão leiga, que sabe que uma corretora que faz um pagamento – e não a seguradora; e todos os pagamentos eram feitos pela corretora -, então é um pouco incoerente”, afirmou.
“Se eu tivesse ficado com R$ 1 milhão, R$ 1,5 milhão, será que eu teria mesmo fugido da cidade? Eu estava na cidade. Só não pude abrir o escritório porque, no mês 11, meu pai faleceu e eu poderia ser penalizado pela Susep (Superintendência de Seguros Privados). Então, eu não podia mais abrir as portas, mesmo estando ainda cadastrado nas companhias. Eu estava dentro do escritório e na minha casa. Me ausentei uma semana no período de férias escolares, que fui para Vinhedo e retornei. E, na época, eu estava emocionalmente abalado, não estava bem por conta da perda do meu pai, uma cirurgia recente de retirada de um câncer, de retirada de um rim, de parte do intestino, em recuperação e querendo resolver a minha parte, onde atrasou um pouco. Aí, surgindo todo esse processo, o que fizeram?”, questionou.
Investigado diz estar sofrendo ameaças anônimas
Airton Fuentes Molina delata que foi coagido e tem recebido ameaças anônimas, seja por e-mail, por mensagens de WhatsApp, ou ainda por ligações telefônicas. Segundo ele, o e-mail com as ameaças foi anexado pela defesa nos autos.
“Palavras de baixo calão, xingando minha mãe, me desejando a morte, que eu gastasse todo o dinheiro que eu tinha com a minha doença, que gostaria de me visitar na prisão. Um deles chegou, por WhatsApp, falar que ia perseguir a família Molina até o final do mundo. A minha esposa foi exposta a isso quando ela foi buscar minha filha na escola. Meu intuito não foi vir aqui falar mal de ninguém. Santo eu não sou, mas também não sou diabo sozinho. Teve dono de uma imobiliária, um senhor, que andou espalhando pela cidade que, se pudesse, daria um tiro na minha cara”, declarou, contando que soube da ameaça por meio de um amigo.
Na manhã desta sexta-feira (21), Molina registrou um boletim de ocorrência após receber novas ameaças.




