No Dia Nacional de Combate ao Fumo, OMS alerta para o aumento das mortes em decorrência do tabagismo

 

Nesta quarta-feira (29), data reservada ao Dia Nacional de Combate ao Fumo, a OMS (Organização Mundial da Saúde) estima que, além de provocar várias doenças, o tabagismo é a principal causa de morte evitável no mundo e que até 5 milhões de pessoas morrem em decorrência do fumo por ano. Somente no Brasil, cerca de 200 mil pessoas morrem anualmente por consequência do ato de fumar.

Por mais que se dissemine informações acerca do quanto o vício é prejudicial a diversos órgãos, alguns especialistas estimam números ainda maiores e que o tabaco mate em torno de 7 milhões de pessoas a cada ano. Desses, 600 mil pessoas, em média, são os chamados fumantes passivos, ou seja, não fumam, mas convivem com fumantes.

(Foto: Reprodução/Michel Teixeira)

De acordo com o médico Alexis Mastri, cirurgião torácico, broncoscopista e especialista em doenças do pulmão, que atende em São João, no Centro Médico de Especialidades, o tabagismo é uma doença de dependência da nicotina, iniciada geralmente na adolescência, daí ser atualmente considerada ‘doença pediátrica’.

“É um problema de saúde pública, visto a grande quantidade de fumantes e as mais de 50 doenças que o tabagismo pode causar; entre as principais estão vários tipos de câncer (pulmão/laringe/boca/estômago/bexiga), doenças pulmonares como bronquite e enfisema, doenças cardiovasculares como infarto do coração e acidente vascular cerebral, impotência sexual, infertilidade e várias outras”, detalhou.

Quanto ao tempo de consumo do tabaco e o desenvolvimento dessas patologias, o médico esclarece que qualquer dose inalada de substância contida no cigarro pode ser prejudicial ao organismo.

“Após aproximadamente 10 anos de tabagismo, consumindo um maço por dia, os riscos de doenças causadas pelo cigarro aumentam de forma muito evidente, mas o principal conceito que se deve ter é que, mesmo pequenas quantidades consumidas de cigarros, no inicio do hábito, podem tornar a pessoa dependente a médio e longo prazo”, completou.

(Infográfico: Reprodução/pinterest.com)

Alexis também analisa que o controle do tabagismo costuma ser uma tarefa árdua, por se tratar de uma doença multifatorial, que envolve aspectos psiquiátricos, psicológicos, sociais, culturais e até mesmo genéticos – logo, todos os programas de tratamento do tabagismo devem englobar cada um desses aspectos e envolver preferencialmente uma equipe multidisciplinar. Claro, baseado sobretudo no desejo fundamental do paciente em se livrar do cigarro.

“O tratamento para parar de fumar, como dito acima, deve iniciar-se pelo desejo do paciente e continuar de forma multiprofisional, principalmente com auxilio psicológico e médico”, aconselhou ele, lembrando que existem no mercado medicações especificas contra o tabagismo, baseadas em terapia de reposição de nicotina (chicletes/pastilhas/adesivos) ou medicações por comprimidos, que agem diretamente no cérebro, aumentando em até 4 vezes a chance do paciente parar de fumar.

Alexis considera que, nos dias atuais, o tabagismo é considerado socialmente algo extremamente deselegante, além de nada saudável.

“Tabagismo não faz parte da sociedade que se espera para o futuro, onde os ambientes serão, por lei, completamente livres de tabaco, onde a Organização Mundial de Saúde almeja que as normas contra ele sejam totalmente cumpridas, onde a indústria do cigarro não terá nenhum incentivo, sendo cobrada com indenizações individuais e coletivas e onde fumar será muito caro, muito prejudicial à saúde e ao ambiente”, finalizou.

Por Daniela Prado

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