Cargill pode ter pago US$ 80 milhões por usinas da Abengoa

A região ainda não sentiu efeitos da possível venda das usinas da Abengoa em Pirassununga e São João da Boa Vista.

Segundo informações recentes, a Abengoa Bionergia, que está em recuperação judicial, teria fechado acordo para a venda de suas duas usinas para o fundo Carval, da Cargill, multinacional que opera na produção e processamento de alimentos.

Abengoa: empresa vem passando por dificuldades financeiras desde 2015; O MUNICIPIO trouxe várias matérias (Foto: Divulgação)

Pelas Usina São Luiz, em Pirassununga, e Usina São João, em São João da Boa Vista, o fundo estaria pagando US$ 80 milhões. O negócio ainda depende da assinatura dos contratos. O fundo teria também assumido o compromisso de injetar R$ 100 milhões nas duas operações. As usinas têm cerca de R$ 1,5 bilhão em dívidas.
Contudo, nenhuma das duas multinacionais confirma a negociação.

CRISE
A Abengoa Bioenergia, braço sucroalcooleiro da Abengoa Brasil, entrou com pedido de recuperação judicial em setembro de 2017. Em junho, a Abengoa Brasil, também em recuperação, vendeu seus ativos operacionais de transmissão de energia no País para o fundo norte-americano TPG, por R$ 482,5 milhões.

As dificuldades das companhias seguiram-se às da matriz espanhola, que igualmente recorreu à justiça para reorganizar seu passivo.

REFLEXOS
Nos últimos anos, a Abengoa Bioenergia vem enfrentando dificuldades financeiras, o que vem refletindo diretamente nos trabalhadores e fornecedores da multinacional.

E as más notícias não são recentes. Em dezembro de 2015, O MUNICIPIO trouxe reportagem com o título “Abengoa: futuro incerto preocupa”. Naquele ano, a empresa havia entrado com pedido de recuperação judicial na Espanha, alegando endividamento e dificuldades de negociação com credores. A Abengoa previa, então, demissão de 4,6 mil trabalhadores no Brasil.

E já em dezembro de 2015 fornecedores e arrendatários de terra para a usina da Abengoa de São João da Boa Vista começaram a ter seus pagamentos atrasados. Para se ter uma ideia, neste período a multinacional devia só para os produtores rurais de toda a região cerca de R$ 60 milhões, o que acabou motivando-os a entrar na Justiça com uma ação coletiva, pedindo bloqueio de bens da usina.

Desde então, as atividades da Abengoa na região são instáveis e demissões começaram a ocorrer. Sem saída, a Abengoa Brasil entrou com pedido de recuperação judicial.

Reportagem: Reinaldo Benedetti

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