Um filhote de cachorro-do-mato, confundido com uma raposa, foi atropelado na avenida João Batista Bernardes, no Jardim Boa Vista, em São João da Boa Vista (SP), e resgatado por um casal de namorados, por volta das 19h30 de quarta-feira (21).
Sem saber de que espécie se tratava, o casal levou o animal ao Hospital Veterinário do campus Mantiqueira do UniFEOB (Centro Universitário Fundação de Ensino Octávio Bastos), onde o mamífero permanece internado sob cuidados veterinários.
A auxiliar administrativo Maria Gabriela de Oliveira, 29, e o namorado, o arquiteto Helvet Franciolli Junior, 37, haviam acabado de sair da casa dele, à rua José Michelazzo, quando se depararam com o filhote caído em meio à avenida.
À reportagem do O MUNICIPIO, a moça contou que chovia bastante na ocasião e o fluxo de veículos era intenso por conta de ser trajeto de estudantes para o campus do centro universitário.
“Ele estava caído na avenida, de frente para a mata que existe no local. E os carros passavam, desviavam e ninguém parava. Alguns chegaram a passar sobre o filhote. Ele estava desacordado, mas percebi antes que estava balançando o ‘rabinho’”, disse Gabriela, que não pensou duas vezes em recolher o animal da via.
O namorado parou o carro, ela desceu e foi até o filhote. Ainda pensando que fosse apenas um cãozinho, Gabriela colocou as mãos no pescoço dele e percebeu que ainda estava com sinais vitais.
“Peguei no colo e fui com ele no banco de trás do carro. Chegando ao hospital, comecei a gritar por ajuda, pois não sabia nem onde levá-lo. Alguns veterinários vieram em socorro, levaram o filhote e fiquei esperando por notícias. Após uns 40 minutos, voltaram e disseram que ficaria em observação. E eu achando antes que era um simples cachorro”, afirmou.
Contente pelo animal ter sobrevivido, Gabriela visitaria o filhote ontem e até deu nome ao animal. “’Batizei’ ele de Alfredo (risos!)”.
De acordo com o biólogo e educador ambiental Herivelton Carlos Caldas Moreira, o nome científico do cachorro-do-mato é Cerdocyon thous, popularmente chamado de raposa-do-cerrado, raposinha, dentre outros nomes. “Eles que têm vivido cada vez mais perto da cidade. Tem também uma família deles que habita àquela mata nas proximidades da quadra do Half”, disse.
Embora não esteja acompanhando de perto o tratamento do animal, Plínio Bruno Aiub, médico veterinário e professor da disciplina Animais Silvestres do UniFEOB, confirmou que o filhote não é uma raposa.
“Ele foi encontrado pelas pessoas que o salvaram em um local onde está habitando há muito tempo. Faz tempo que eu o monitoro na nossa fazenda-escola, às margens do rio da Prata. Coloco sempre minhas câmeras de monitoramento e, às vezes, vou fazer busca ativa à noite. Já vi um casal desses animais ali recentemente, não tem 20 dias. Também soube – por funcionários da fazenda – que eles estavam transitando por ali. Eles moram na mata ciliar do rio da Prata, onde é um ‘braço’ de um corredor ecológico entre a fazenda Alegre e a fazenda-escola”, afirmou.
CARACTERÍSTICAS
Entre as características da espécie, os cachorros-do-mato são noctívagos (hábito de vagar à noite), medem cerca de 65 cm de comprimento e o peso médio varia entre 3 a 11 kg. Possuem pelagem cinza-clara de base amarelada, e faixa dorsal negra, que se estende da nuca à ponta da cauda.
São animais onívoros e oportunistas, e sua dieta consiste de frutas, ovos, artrópodes, anfíbios, répteis, pequenos mamíferos, crustáceos em rios, e carcaças de animais mortos.
Com exceção das florestas tropicais, altas montanhas e pastagens abertas, o habitat abrange diversos ambientes como savanas (cerrado), florestas subtropicais, florestas espinhosas de cactus, matas arbustivas, caatinga, planícies e campos, e inclui, também, margens arborizadas, como a mata ciliar. Em algumas regiões de sua ocorrência, eles estão ameaçados e podem desaparecer.
Na estação chuvosa, vai para áreas mais altas, enquanto em épocas mais secas se movem para mais baixas. São caçadores solitários, e isto só muda eventualmente durante o período de acasalamento. Possui hábitos noturnos, e são mais ativos ao pôr-do-sol, durante a noite e nascer do sol.



