O medicamento Alenia, usado para o tratamento de portadores de asma brônquica, está em falta na Farmácia de Alto Custo de São João da Boa Vista. O problema tem afetado inúmeros pacientes que dependem de remédio. Conforme apurado pelo O MUNICIPIO, a substância não tem sido repassada pelo Estado desde outubro do ano passado e os usuários têm se desdobrado para conseguir – ou por meio de doação de outras pessoas ou comprando. O custo médio do medicamento é de R$ 140.
Além do Alenia, a reportagem foi informada de que outros medicamentos de alto custo – de uso contínuo – também não foram repassados à unidade e, inclusive, um cartaz com os nomes estava fixado em uma das paredes da farmácia. Todavia, o informe havia sido retirado nesta quarta-feira (17). Até medicamentos usados por pacientes transplantados estariam em falta.
O professor aposentado Antonio de Freitas Brasil, 81, é um dos pacientes que desde outubro está em busca do Alenia. Ele somente está tomando o remédio porque recebeu doação de parentes de uma pessoa já falecida e que fazia uso do remédio. “A última vez que peguei foi em outubro. Uso há dois anos. Agora vou ter que comprar, já que tenho para mais 15 dias”, reclamou, indignado.
O aposentado recebia, mensalmente, uma caixa com 60 cápsulas e o inalador. Ele ingere o medicamento duas vezes ao dia e não pode interromper o tratamento, sob o risco de enfrentar as crises de asma. “E só quem tem sabe como é”, disse.
Brasil tem ido todos os meses, desde outubro, buscar o Alenia na unidade, mas tem saído de mãos vazias e cansado com a resposta negativa. “Fui em outubro, não tinha e remarcaram para eu retornar em 18 de novembro. Na data, estive lá, continuava em falta e agendaram para 21 de dezembro. Aconteceu o mesmo e remarcaram para esta terça-feira (16). É a quarta vez que escuto que não chegou”, afirmou.
O usuário reconhece que o problema não é da farmácia. “Somos muito bem atendidos sempre. Fui informado que não está havendo repasse do Estado aos postos do interior paulista. Segundo me disseram, por falta de verbas”, contou.
O Departamento Municipal de Saúde interveio para apurar o que estaria ocorrendo. “Conforme informado pela Chefia da Assistência Farmacêutica, o medicamento citado é fornecido pela Secretaria de Estado da Saúde e está em falta parcial. A entrega estava agendada para o dia 15 de janeiro, porém, até o momento o município não recebeu”, disse.
A Prefeitura esclareceu ainda que é responsável apenas pela distribuição dos medicamentos da Farmácia de Alto Custo, já que a aquisição de competência da Secretaria de Estado da Saúde, “razão pela qual não temos acesso à listagem dos medicamentos em falta”.
Por meio de nota, o Departamento Regional de Saúde (DRS) de São João da Boa Vista esclareceu que o medicamento Alenia já foi adquirido e o fornecedor está sendo cobrado para que entregue os produtos o quanto antes. “A previsão é que isso ocorra na próxima semana e os pacientes serão comunicados sobre a disponibilidade”.
O departamento informou ainda que o SUS (Sistema Único de Saúde) distribui mais de 1.000 tipos de medicamentos em diferentes postos do Estado de São Paulo.
De acordo com o órgão, para atender os pacientes cadastrados no programa de Medicamentos Especializados (Alto Custo) em todo o Estado, a Pasta estadual realiza planejamento periódico dos estoques, com base no consumo e mais uma margem de segurança para garantir que a unidade tenha estoque até que seja abastecida pela próxima compra.
“Mas, alguns fatores, alheios ao planejamento da Pasta, podem ocasionar desabastecimentos temporários, como aumento inesperado de demanda (acima da margem de segurança prevista), atraso por parte do fornecedor, logística de distribuição do Ministério da Saúde, pregões ‘vazios’ (quando nenhuma empresa oferta o medicamento) ou pregões ‘fracassados’ (quando as empresas estabelecem preços acima da média de mercado, o que inviabiliza legalmente a aquisição)”.
Questionada sobre os demais medicamentos de alto custo que estariam em falta, a Secretaria de Estado da Saúde não se manifestou.




