Durante a Campanha Outubro Rosa muito se fala da importância do autoexame e da realização de mamografia, para detectar precocemente o câncer de mama – o segundo tipo de câncer que mais atinge mulheres em todo o mundo.
Por outro lado, um aspecto que também merece destaque, embora nem sempre seja enfatizado é o quanto a família tem papel fundamental na vida de pacientes com câncer, ao fornecer o apoio emocional que, inclusive, ajuda na recuperação.
Ellen Francine Amadio, psicóloga com especialização em Psicanálise – Teoria e Clínica pela PUC Minas e em Psicologia Clínica na Saúde Reprodutiva da Mulher pela Unicamp, observa que o impacto do diagnóstico de qualquer doença atinge paciente e família em sua integralidade — todos terão suas vidas significativamente afetadas.
“Quando essa doença é oncológica, a percepção da finitude da vida torna-se presente e é muito comum surgirem mitos e fantasias em torno do paciente e de seu tratamento. O câncer ainda é uma doença culturalmente associada à um estigma de dor, sofrimento e morte, assim, dificuldades de ordem emocional tendem a ser comuns, tanto no paciente quanto em seus familiares”, analisa Ellen.
E completa que cada pessoa reagirá de uma maneira ao diagnóstico e ao tratamento, mas é imprescindível procurar ajuda de alguém disposto, de algum familiar, ajuda especializada de um profissional psicólogo ou de uma equipe multiprofissional, o que irá amparar o paciente e sua família.

“Por tratar-se de uma doença estigmatizada, é comum que as pessoas se assustem e não saibam como lidar com a notícia, mas o desafio é de todos e, exatamente por isso, se houver união e apoio mútuo, será mais fácil passar pelo câncer e suas implicações”, ressalta.
Ellen também reconhece que não há nada melhor do que estar cercado por aqueles que amamos, tanto nos momentos alegres como nos difíceis, para encontrar forças para seguir em frente e não sucumbir frente aos desafios enfrentados ao longo da vida.
“No caso de um diagnóstico de câncer, ele traz consigo uma série de sentimentos confusos e de difícil compreensão não apenas para o paciente, mas para todos da família e amigos; logo, a comunicação aberta e honesta é a chave para a superação deste momento difícil. Oferecer ajuda e perguntar como você pode ajudar, é imprescindível. Mostrar-se presente e acompanhar nas consultas e tratamentos também é importante”, sugere a psicóloga.
Segundo Ellen, entender um pouco sobre a doença e o tratamento também ajuda neste processo, facilitando a compreensão desta fase e do que o familiar está passando ou sentindo. “Se no momento não houver nada que você possa fazer e, mesmo assim, você queira ser útil de alguma forma, apenas o escute”, comenta a psicóloga, lembrando que é importante respeitar o silêncio do paciente também, caso este não queria se expor.
O apoio psicológico e o desenvolvimento de estratégias de enfrentamento não poderão modificar a situação propriamente dita, mas ajudam o indivíduo a ‘negociar’ com suas emoções, mantendo a autoestima positiva e esperança, elementos necessários ao bem-estar e a qualidade de vida de ambos – paciente e cuidador, que também precisa estar bem para prestar essa ajuda.
“O apoio emocional e os cuidados com os pacientes com câncer são fatores essenciais para sua recuperação. Durante o tratamento, o que eles mais precisam é de solidariedade. A ajuda de amigos e familiares é fundamental em todos os momentos e a melhor forma de se comunicar com um paciente oncológico é estar totalmente presente”, conclui a psicóloga.
E acentua: “Ouça-o, sem pensar em qualquer julgamento. Se ele se sente confortável com a sua presença, sentirá que você está 100% junto e passará, então, a dividir abertamente suas preocupações. Às vezes, só escutar já é em si o melhor a fazer. Você não poderá consertar esse momento ou oferecer uma cura, mas pode lhe oferecer um espaço seguro para que ele se sinta compreendido, acreditando que você pode estar ao lado dele nos bons e nos não tão bons momentos.”
Ellen finaliza ressaltando que o cuidado dispensado por alguém, assim como o carinho, o afeto e o amor, podem surtir efeitos inesperados.
Para entrar em contato com ela, acesse o Facebook/ Psicóloga – Ellen Francine Amadio.
Por Daniela Prado.




