Autossabotagem: como lidar com pensamentos negativos

Quem nunca teve um momento de insegurança ante uma nova realização ou desafio?

Até certo ponto, é natural sentir medo ou pesar os prós e contras diante de algo inédito na vida e, nessas horas, não faltam pessoas para desmotivar, dizendo ‘isso não vai dar certo’.

Para não cair em armadilhas mentais, ‘aceitando’ essas críticas negativas que levam a autossabotagem, a reportagem do O MUNICIPIO conversou com a psicóloga Ellen Francine Amadio, que atende em São João, na clínica Sales.

Desenho animado: a hiena Hardy é a imagem do pessimismo que autossabota (Reprodução/Pinterest)

Ellen até se lembrou daquele personagem Hardy, a hiena sempre pessimista do desenho animado LippyandHardy, que vivia repetindo ‘Oh, céus! Oh, vida! Oh azar!’

“Lippy sempre bolava planos mirabolantes para os dois se darem bem masHardy, com todo o seu pessimismo, nunca acreditava que teriam sucesso.Hardy era o estilo pessimista, depressivo, cheio de pensamentos negativos, com uma visão dicotômica da vida de ‘ou tudo ou nada’, 8 ou 80 e com a persistente impotência em lidar com a vida”, comentou Ellen, observando que todos nós já nos deparamos com pessoas assim na vida real, quando não somos nós mesmos.

A psicóloga ressaltou que essas crenças e emoções negativas podem se cristalizar, trazendo prejuízos físicos e emocionais, influenciando a forma de pensar e agir, gerando assim a autossabotagem.

“Nesse processo inconsciente de autossabotagem e vitimização fazemos escolhas, as quais vão reforçar todas essas percepções da realidade. A Autossabotagem é o instinto do contra, não contra o outro, mas contra a si mesmo, você passa a ser seu principal inimigo”, justificou.

Ellen enfatizou que essa negatividade é resultante de vivências e eventos acumulados ao longo de toda a vida, tendo origem nas crenças transmitidas desde a infância.

“Pensamentos bons e ruins fazem parte do nosso cotidiano. A diferença psíquica entre o pessimista e o otimista é que o primeiro vê dificuldades em cada oportunidade e o segundo enxerga oportunidade em cada dificuldade e não sofre por antecipação por causa disso”, disse.

A psicóloga observou que conviver com pessoas queixosas acaba sendo cansativo, mas quem está nesta convivência pode, sim, tentar ajudar, desde que considere que a mudança acontece de dentro para fora e depende do pessimista querer ser ajudado e isso leva um tempo.

“Evitar essas repetições destrutivas é muito difícil, porque elas estão consolidadas em nosso inconsciente desde muito cedo. Por isso, estar ciente de seu padrão de repetições é extremamente importante, eu diria que é o primeiro passo. O caminho para entender esse funcionamento seria o do autoconhecimento”, Ellen sugeriu.

E completou que, nesse sentido, a psicoterapia pode ajudar a pessoa a entrar em contato com a origem dessas crenças, para que sejam então entendidas e elaboradas.

“Padrões de autossabotagem podem então ser manifestados no contexto da terapia, para que sejam desemaranhados e reorganizados na maneira como o paciente se relaciona, se comporta e se sente, mas a psicoterapia pode ajudar a balancear a dualidade entre os instintos”, sugeriu.

A psicóloga salientou que a busca por autoconhecimento e auto percepção são imprescindíveis.

“É importante estar ciente e tentar compreender seus padrões de repetições, lembrando que aqui se encontra a característica básica do pessimismo e da autossabotagem; também prestar atenção e questionar os fracassos recorrentes em sua vida, por que será eles vem acontecendo?”, orientou Ellen.

Reconhecer suas potencialidades e se apropriar delas e utilizar-se também do otimismo e do humor, tentando evitar essa dualidade extrema, do tudo ou nada, a generalização também estão no rol de dicas que a psicóloga deixa.

“Disponha-se a sair da zona de conforto, do papel de vítima, se desafie e permita uma mudança interna, em busca de seus desejos”, finalizou.

Para entrar em contato com Ellen, acesse a página do Facebook/Psicóloga – Ellen Francine Amadio.

Reportagem: Daniela Prado

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