MARCELO GREGÓRIO
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Conhecida por suas atrações turísticas, Poços de Caldas se tornou ainda mais atrativa, não apenas para turistas, mas para mineradoras internacionais, que estão de olho na riqueza mineral existente no município.
Distante a 44 quilômetros de São João da Boa Vista, a cidade mais populosa do Sul de Minas Gerais vive a expectativa de que a exploração das terras raras gere oportunidades econômicas e geração de empregos, mas ambientalistas defendem cautela devido aos possíveis impactos ambientais.

Presidente da ONG Aliança pela Pedra Branca, Daniel Tygel disse ao O MUNICIPIO que não acredita no projeto. “Certamente, [será uma] catástrofe. Não como um temor ou uma ameaça, mas como fato. Nós [tivemos acesso a] todos os estudos de impactos ambientais dessas empresas e a gente percebe que eles são cheios de lacunas, malfeitos. Os processos de licenciamento ambiental desses gigantescos projetos [são] muito maiores que qualquer projeto de mineração que nós temos aqui na região”, contou Tygel, que é mestre em física pela Unicamp.
RIQUEZA SOB A TERRA
Recentemente, a mineradora australiana Power Minerals anunciou que encontrou alto teor de terras raras em seu novo projeto de exploração no Morro do Ferro, em Poços. Em uma perfuração de 111 metros de profundidade, os pesquisadores teriam achado uma quantidade expressiva de minerais valiosos usados na tecnologia. A média de concentração desses minerais, ao longo de todo o buraco, segundo a mineradora, foi muito alta (8,25%). Conforme os dados levantados, na mineração, concentrações acima de 1% e 2% são consideradas excelentes.
O QUE SÃO AS TERRAS RARAS?
Conjunto de 17 elementos químicos estratégicos, as terras raras são fundamentais em tecnologias como carros elétricos, turbinas eólicas, celulares e equipamentos de defesa. Os testes feitos pela mineradora australiana também mostraram a presença de quatro minerais super especiais: o neodímio, praseodímio, terbo e disprósio.
Apontados como os elementos mais valiosos desse mercado, eles são a matéria-prima para a fabricação de ímãs superpoderosos usados em tecnologias de ponta. O projeto do Morro do Ferro foi adquirido pela mineradora em abril deste ano por R$ 80 milhões. Desde então, ela realiza uma campanha de sondagem para confirmar e aprofundar os dados de pesquisas anteriores.
O MUNICIPIO tentou contato, por e-mail, com a empresa, mas não houve retorno até o fechamento desta edição. No entanto, a reportagem apurou que os altos teores identificados pela empresa poderiam permitir uma mineração de menor volume em comparação com depósitos de concentrações mais baixas, o que resulta em menos impactos. A ideia da empresa seria concluir as etapas de pesquisa para determinar a quantidade de minério e a distribuição dos elementos no depósito.
A transformação do depósito em uma operação comercial ainda depende de uma série de etapas, entre elas a definição dos recursos minerais, os estudos de processamento, a avaliação econômica e o licenciamento ambiental.
Se as mineradoras estão de olho nas terras raras de Poços, ambientalistas, ongs e população também seguem atentas ao que poderá acontecer na cidade.
À reportagem, Tygel afirmou que teme pelo ataque químico diário em cerca de 27.400 toneladas de argila. “Isso poderá gerar aproximadamente 130 milhões de toneladas de rejeitos, possivelmente contaminados com metais pesados, colocando em risco uma região de grande importância para as águas do estado de São Paulo, com impactos que podem alcançar cidades como Caconde, Ribeirão Preto e Barretos, seguindo até a Argentina”, alertou Daniel.




