O seu trabalho não é só o seu trabalho; enquanto você trabalha a vida passa

Estamos em outubro e os panetones decorando as padarias e mercados nos fazem lembrar que a maior parte do ano já aconteceu. Particularmente, eu acho o panetone uma comida feliz. Talvez pela expectativa e o motivo da sua chegada, talvez porque panetone e café quentinho é uma combinação maravilhosa ou porque não tem o ano todo ou pelas memórias que ele traz. O fato é que o panetone muitas vezes nos faz lembrar que o tempo voou até aqui. Dias atrás eu olhei para o meu crachá – sim, eu uso crachá e gosto muito, inclusive; o meu é colorido e cheio de botons – fiquei observando por um tempo a minha foto e me dei conta de que o tempo voou até aqui. Citei na edição anterior que as pesquisas que apontam as carreiras com maior destaque, preenchidas com maior significado e realização têm a coragem como um traço em comum. Também o bom uso e o respeito pelo tempo. O nosso trabalho não é só o nosso trabalho. Enquanto a gente trabalha, a vida vai passando. E de panetone em panetone, a vida passa rápido, voa.

Stephen Covey, uma grande mente e coração do mundo do trabalho, conhecido por sua contribuição no desenvolvimento de lideranças e culturas fortes, autor best seller do livro, “Os sete hábitos das pessoas altamente eficazes”, sempre dizia que as coisas importantes devem ser repetidas, no mínimo, sete vezes para não serem esquecidas. Isso para nos lembrar que tempo de trabalho é tempo de vida e que esperar a sexta-feira, o happy hour, o final de semana, feriado ou férias para então se sentir bem, então ser feliz, acaba não sendo a melhor perspectiva.

Assim como diz João Branco, eleito um dos dez melhores profissionais de marketing do Brasil, e uma grande inspiração: “Por que não levar o coração para o trabalho?”, “Por que não enxergar o trabalho como um bem necessário e considerar que independente do que você faça e onde você esteja que as pessoas irão precisar dos seus talentos?”. É a mesma lógica de que sonhar grande dá o mesmo trabalho que sonhar pequeno. O tempo vai passar de qualquer jeito. Então que a gente escolha passar da melhor maneira possível.

A verdade é que há muito tempo a relação com o trabalho deixou de ser uma questão de equilíbrio para dar espaço à integração entre vida e trabalho. “O que eu faço na vida, reflete no meu trabalho e o que eu faço no meu trabalho, reflete na minha vida.” É impossível dissociar uma coisa da outra simplesmente pelo fato de que somos apenas um.

Encare o trabalho como trabalho: nem todo trabalho é uma viagem para Disney. Têm coisas que a gente vai gostar e outras não. Por meio dessa perspectiva madura, vá para o seu trabalho e viva o seu trabalho. Esteja de coração naquilo que você faz. Não existe alta performance e bem-estar quando não existe presença e intenção. Escolha a sua roupa com intenção, escolha a sua postura com intenção, escolha a marca que você quer deixar nas outras pessoas com intenção e escolha com intenção conseguir um outro trabalho quando o seu coração já está mais no trabalho que você faz.

Pessoas felizes são gratas, perdoam, consomem boas informações, têm consciência de suas escolhas e fazem um bom uso do tempo. Usar o tempo para trabalhar bem é também parar de trabalhar em algum momento. Parar de produzir e simplesmente fazer alguma coisa por fazer. Há quanto tempo você não pisa na grama? Não ri até doer a barriga? Não escuta aquela música preferida no volume alto? Não para pra olhar as estrelas e fazer um pedido? Caminha só por caminhar e não para bater a meta de cardio? Faz uma leitura só por prazer e não pela pressão de expandir repertório? Não faz uma oração? Há quanto tempo você não faz alguma coisa pela primeira vez?

Existe felicidade na inutilidade: esse espaço de tempo que a alma tanto precisa para você fazer bem qualquer outra coisa, inclusive trabalhar. Experimente desacelerar para então acelerar com direção e intenção. Têm coisas que a gente só vê, quando a gente para. Tudo isso vai te ajudar, mais do que pensar no que você fez até aqui, pensar e desejar com intenção e direção o que vai fazer daqui em diante.

Existe uma vida que só você pode viver. Ela é por si só digna de ser vivida. Começa dentro de você, dentro do seu interior. A vida que você vive é a sua maior criação. E o seu trabalho não é só o seu trabalho. Enquanto você trabalha a vida vai passando.

O seu trabalho desperta mais o seu lado mecânico, humano ou divino? Te ajuda a encontrar com você mesmo ou a se perder de você mesmo?

Até a próxima edição. Com carinho,

Dani Rodrigues, estrategista em Futuros
e Felicidade no Trabalho e vice-reitora na Unifeob

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