Por Ana Laura Moretto
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Arnaldo Negreiros, 43, trabalha como carpinteiro e dedica parte do tempo à capoeira, atividade que pratica há mais de 20 anos. Foi a partir dessa relação e das oportunidades que teve por meio da modalidade que surgiu a vontade de fazer o mesmo por outras pessoas.
Há cerca de um ano, Arnaldo mantém de forma voluntária, um projeto de capoeira com aulas abertas para crianças e adultos da comunidade. Os encontros acontecem às terças-feiras, sempre às 19h30, na quadra da escola municipal Genoefa Pan Bernardo, no bairro do Macuco, zona rural de São João da Boa Vista. A proposta é levar esporte e cultura a moradores com pouco acesso a atividades desse tipo.

A ideia surgiu depois que Arnaldo voltou a treinar e conheceu o grupo União Capoeira Gingaiê – Ucagê. O filho Matheus também começou a acompanhá-lo e aos poucos ele retomou o gosto pela capoeira e percebeu que poderia contribuir com a comunidade.
“Eu estava há bastante tempo sem treinar. Aí conheci o grupo que estou hoje e comecei a treinar com eles. Meu filho Matheus começou a ir comigo, fui pegando gosto pela coisa e vi que poderia ajudar as crianças aqui da comunidade, até mesmo adultos, já que aqui é bem carente de esporte”, contou.
Antes de iniciar as aulas, Arnaldo conversou com o mestre Alan Porifirio dos Santos, que apoiou a iniciativa. Para ele o projeto representa uma forma de compartilhar uma experiência que ajudou em seu próprio desenvolvimento. A intenção é oferecer essa oportunidade a quem não teve acesso à modalidade.
Além da atividade física, as aulas criam um espaço de convivência e aprendizado. Arnaldo acredita que a capoeira também ajuda as crianças a ocuparem o tempo com uma atividade coletiva e a deixarem um pouco de lado o celular.
Durante os encontros, os participantes aprendem movimentos, mas também entram em contato com disciplina, responsabilidade, musicalidade e cultura. A origem da capoeira faz parte do conteúdo, mostrando que a prática vai além do exercício físico. Ao longo do primeiro ano, Arnaldo acompanhou a evolução dos alunos. Segundo ele, no começo havia dificuldades até com movimentos simples. Com a continuidade dos treinos, alguns passaram a arriscar movimentos mais complexos e demonstram maior confiança.
“Nesse um ano eles evoluíram bastante. No começo tinham muitas dificuldades com movimentos simples, mas hoje alguns já arriscam movimentos mais complexos e também estão melhorando a autoconfiança”, relatou.
A evolução terá um momento especial em outubro. Nos dias 10 e 11, os alunos participarão da primeira graduação, quando receberão o primeiro cordão.
A relação de Arnaldo com a capoeira começou há mais de duas décadas. O que era um hobby se tornou parte importante de sua vida. “A capoeira começou na minha vida como um hobby e se tornou parte muito importante depois que eu descobri todas as habilidades e ensinamentos que ela pode trazer”, afirmou.
Essa experiência influencia a maneira como ele conduz o projeto. Mais do que formar bons capoeiristas, Arnaldo procura contribuir para a formação de pessoas responsáveis, com ética e respeito. A modalidade também é apresentada como uma luta que pode contribuir para a autodefesa.
Com o projeto completando um ano, os planos são ampliar o trabalho e levar a iniciativa para outros bairros. As aulas continuam abertas a quem quiser conhecer a capoeira. Interessados podem procurar Arnaldo na quadra da escola ou entrar em contato pelo telefone (19) 99723-3034.
Para o carpinteiro, ensinar se tornou uma maneira de compartilhar com a comunidade uma oportunidade que fez diferença em sua própria trajetória.




