Em pleno mês que comemoramos os dias do biólogo e do veterinário (3 e 9 de setembro respectivamente), vale uma boa reflexão do que são essas duas profissões e do quanto estamos 100% envolvidos. Primeiramente, creio que esquecemos que o mundo é biológico e que tudo é biologia. Estamos deslumbrados com as coisas artificiais, mesmo sabendo que a própria inteligência artificial foi construída com dados biológicos.
Existe um fenômeno das novas gerações procurando lugares com mais natureza, com mais calma em detrimento as grandes cidades, mas vejo que junto dessa tendência, ainda há uma forte exigência de conexão com a internet… Ok, há uma volta das pessoas ao campo, mas o cordão “umbilical” da conexão não desata e isso muda tudo. Não é uma volta ao campo, é uma ida ao campo!
Conexão com a natureza não combina com conexão com tela! Há um infinito de lições, por segundo, apresentadas na observação da natureza. Foi de lá que as grandes, se não todas, invenções nasceram. O homem não teria o poder que tem de criar se não fossem os exemplos que a natureza lhes deu.
Para a biologia, saúdo a esperança de que nem tudo está perdido. Numa era onde achamos que as baterias que movem os elétricos é coisa a se comemorar, a biologia ainda mantém viva a esperança na lucidez da bobagem que estamos fazendo esburacando nosso solo em busca de minérios para tocar transporte/mobilidade entre outros, com alcunha de sermos ecológicos.
Para a veterinária, saúdo as novas tendências de bem-estar animal que mantém viva a indignação de aprisionar animais para acelerar o crescimento, buscando novas formas de produzir alimentos de maneiras mais naturais, sem a pressa movida pela ganância. Ao mesmo tempo que condeno essa mercantilização do pet como filho e toda loucura que isso traz para o animal.
E assim, comemoramos a data das duas profissões que mais dá sentido ao ser humano, que o mantém firme no propósito de que o mundo não foi feito só para nós e de que tudo provém de um recurso natural. É essa administração que temos que priorizar. Podemos ter tudo que quisermos, mas sem oxigênio, água e alimento natural não adianta ter dólar, IA, petróleo, minérios raros e tudo que estamos sempre buscando para enriquecer a humanidade, sem levar em conta todo restante da vida no planeta.
Que possamos trazer à tona a ideia e o respeito por um mundo constituído por uma diversidade de espécies e uma riqueza de recursos naturais onde, apenas nós humanos, estamos querendo consumir, destruir, subtrair, tudo egoistamente, sem levar em consideração o que essas duas profissões vem mostrando para nós: riqueza sem vida é inócuo e estúpido, cuidar das demais espécies acentua o traço mais nobre da humanidade: a compaixão!
Parabéns à biologia e à medicina veterinária da conservação!
Voltar ao campo é voltar às origens, é deixar a natureza envolver nossas vidas e esquecer que, conexão com um mundo virtual é entorpecimento da alma e que a vida é biológica, antes de tudo!

Plínio Aiub
é médico veterinário especializado em animais silvestres




