Por Pedro Souza
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A Santa Casa de Misericórdia Dona Carolina Malheiros realizou, na terça-feira (21), a segunda aplicação de polilaminina em um paciente do Sistema Único de Saúde (SUS). O procedimento foi feito em um homem de 31 anos, que ficou paraplégico após sofrer um acidente de moto e busca recuperar, gradualmente, os movimentos e a sensibilidade das pernas.
A aplicação foi conduzida pelo neurocirurgião Bruno Côrtes, chefe do Serviço de Neurocirurgia do Hospital Municipal Souza Aguiar, no Rio de Janeiro (RJ). No dia 5 de julho, ele já havia realizado o mesmo procedimento na Santa Casa em uma jovem boliviana de 20 anos.

Segundo Bruno Côrtes, a polilaminina é aplicada com o objetivo de estimular a reconexão dos neurônios afetados pela lesão medular.
“É um procedimento de injeção de polilaminina para tentar religar os neurônios que estão na parte de cima com os neurônios que estão na parte de baixo, que foram corrompidos. A polilaminina forma um trilho para esses neurônios crescerem e, com isso, conseguir que a parte sensitiva e motora comece, lentamente, com o auxílio da fisioterapia, a recuperar os movimentos e a sensibilidade”, explicou o médico, que esteve acompanhado do também neurocirurgião João Buçard.
De acordo com a diretora técnica da Santa Casa, Patrícia Lopes Moreira, o paciente é de Espírito Santo do Pinhal e foi encaminhado ao hospital por meio da Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross), sistema da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo responsável por organizar o acesso de pacientes do SUS a internações e procedimentos de média e alta complexidade.
“Assim que recebemos esse paciente, iniciamos o protocolo e entramos em contato com a equipe do Cristália, laboratório detentor da polilaminina, que nos orientou sobre o restante da documentação, já que esse era o segundo procedimento realizado pela Santa Casa. Um médico veio até o hospital, fez a avaliação do paciente, que foi selecionado para o estudo”, afirmou.
A pesquisa com a polilaminina é desenvolvida há mais de 20 anos pela professora doutora Tatiana Coelho Sampaio e sua equipe, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Entre janeiro e julho deste ano, 105 pacientes participaram do estudo.
“Vamos esperar para ver como será a recuperação desses dois casos que temos aqui”, disse João Buçard. A expectativa é que os estudos avancem e apresentem resultados cada vez mais eficazes, permitindo que, futuramente, o procedimento possa ser disponibilizado à população.
ACOMPANHAMENTO
O MUNICIPIO prepara uma reportagem especial sobre a aplicação da polilaminina na Santa Casa. A matéria trará mais detalhes sobre o procedimento, o andamento da recuperação dos dois pacientes submetidos ao tratamento em São João da Boa Vista e a história de vida de cada um deles.




