Filhos em casa durante as férias criam novos desafios

Por Clovis Vieira
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O sinal toca, os portões se abrem e as mochilas do dia a dia escolar são deixadas de lado. Para as crianças, o início das férias escolares é sinônimo de total liberdade e diversão. Para os pais, no entanto, o calendário marca o começo de um verdadeiro malabarismo diário. Conciliar a rotina de trabalho com a energia inesgotável dos filhos em casa é o grande desafio das próximas semanas. Entre telas, brincadeiras e o temido ‘estou entediado’, encontrar o equilíbrio exige paciência, criatividade e, acima de tudo, acolhimento.

Em família: momento de descontração reunindo Vitor, Ulisses, Lucca e Vivian (Acervo Pessoal)

Para o casal Vivian e Ulisses Valin, pais do Vitor, 4, e do Lucca, 12, o equilíbrio já faz parte dos hábitos da casa em períodos de férias escolares. “Nossa rotina é organizada: nós, os adultos, trabalhamos durante o dia e as crianças vão à escola. À noite, fazemos as refeições juntos e acompanhamos as tarefas escolares”, disse Ulisses.

De acordo com Vivian, nas férias os horários ficam mais flexíveis. “As crianças brincam mais em casa, passeiam quando possível e ajudam em pequenas tarefas”.

Com o tempo e a experiência em ser pai, Ulisses afirma que já encontrou solução para o que antes foi um problema: o excesso de tempo nas telas. “Resolvemos criando horários para brincadeiras, leitura e atividades em família”. Com base no que tem observado dentro de casa, ele arrisca oferecer uma sugestão para pais que ainda enfrentam pequenas situações de desequilíbrio. “Tenham paciência, criem uma rotina simples e aproveitem as férias para fortalecer o convívio em família, sem tentar preencher todos os momentos com atividades”.

FÉRIAS

Malena Santos, psicóloga educacional do Experimental Integrado, avalia que o período de férias escolares é frequentemente idealizado como um momento de descanso e diversão, mas, na realidade das dinâmicas familiares, ele representa um fenômeno psicológico e sistêmico complexo. “A transição para esse período exige uma quebra na previsibilidade do cotidiano”.  A profissional aponta que, para as crianças e adolescentes, a rotina escolar funciona como um organizador externo e que, sem essa organização, o ócio surge e, com ele, a intolerância ao tédio, que costuma se manifestar como irritabilidade, agitação ou isolamento nas telas.

Para os pais, o significado psicológico das férias gira em torno da sobrecarga de papéis, já que precisam continuar gerenciando sua rotina profissional e doméstica. “Mas agora acumulando a função de supervisores de forma integral”, destacou. Essa pressa em preencher o tempo dos filhos ativa crenças de insuficiência e culpa, gerando estresse no ambiente do lar. Diante desse cenário, é comum que as famílias busquem uma ‘fórmula secreta’ ou um equilíbrio perfeito para o ânimo de todos. Sob a perspectiva cognitiva, essa busca é uma ‘armadilha’ baseada em pensamentos de ‘tudo ou nada’.

Portanto, nesse contexto de férias, os pais não precisam assumir a responsabilidade de entreter os filhos a cada minuto, o tédio, segundo a profissional, tem uma função crucial no desenvolvimento da criatividade, da autonomia e da tolerância à frustração. “A prioridade familiar deve se concentrar em pequenos rituais de presença total (como um jogo rápido ou o preparo de uma refeição juntos) e na manutenção de uma estrutura mínima e flexível, preservando horários básicos para o sono e alimentação”, concluiu.

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