Por Ana Paula Fortes
[email protected]
O bullying continua sendo um dos principais desafios no ambiente escolar e também dentro de casa. A prática pode aparecer de diversas formas, como agressões físicas, apelidos pejorativos, exclusão social ou ataques no ambiente digital, e afeta diretamente o desenvolvimento emocional e social de crianças e adolescentes. Especialistas alertam que reconhecer os sinais precocemente é fundamental para evitar consequências mais graves.
Em 2024, foram registrados mais de 15 mil episódios de violência no contexto escolar no Brasil, segundo dados do DataSUS (Sinan). O número representa um aumento de 23% em relação ao ano anterior.

De acordo com a psicopedagoga infantil Mariana Fernandes Viana Moura, mudanças de comportamento costumam ser os primeiros indícios de que algo não vai bem. Por isso, esses sinais precisam ser observados com atenção por pais e educadores.
“A criança pode apresentar isolamento, queda no rendimento escolar, resistência em ir para a escola, alterações no sono ou no apetite, irritabilidade e tristeza frequente. Também são comuns queixas físicas, como dor de cabeça ou dor de barriga, sem causa aparente”, explicou.
Outro ponto de atenção é o silêncio. Muitas crianças evitam falar sobre o que estão vivendo, o que pode dificultar ainda mais a identificação do problema.
QUANDO A CRIANÇA É AGRESSORA
Nem sempre o foco está apenas em quem sofre bullying. Crianças que praticam esse tipo de comportamento também podem apresentar sinais que merecem atenção.
Segundo Mariana, atitudes como agressividade frequente, dificuldade em lidar com frustrações, necessidade de controlar os colegas e pouca empatia são indicativos importantes.
“Em alguns casos, essas crianças reproduzem padrões que vivenciam em outros ambientes, como dentro de casa ou em círculos sociais”, afirmou.
Ela também ressalta que uma mesma criança pode ser vítima e agressora em contextos diferentes. “Algumas que sofrem bullying podem reagir com agressividade em outras situações como forma de defesa”.
O bullying pode se manifestar de forma verbal, física, psicológica ou social. Entre os exemplos mais comuns estão humilhações, ameaças, exclusão e exposição ao ridículo.
Nos últimos anos, o cyberbullying ganhou destaque. Diferente do bullying presencial, ele ultrapassa os muros da escola e pode ocorrer a qualquer momento. “O ambiente digital amplia o alcance da violência e aumenta a exposição da vítima”, explicou.
Apesar do aumento da conscientização sobre o tema, nem todas as escolas estão preparadas para identificar e lidar com esses casos. A psicopedagoga destaca a importância da formação continuada de professores e equipes pedagógicas para reconhecer sinais precoces e agir de maneira adequada.
Dentro de casa, alguns erros ainda são comuns. Minimizar o sofrimento da criança, tratar a situação como algo normal da idade ou incentivar reações agressivas são atitudes que devem ser evitadas.
“O mais importante é acolher, escutar sem julgamentos e validar os sentimentos da criança. Ela precisa sentir que será protegida e não culpabilizada”, orientou.
A recomendação é procurar apoio profissional quando houver sinais persistentes de sofrimento, mudanças significativas de comportamento, isolamento ou recusa em frequentar a escola.
Especialistas alertam que o bullying pode deixar marcas duradouras, afetando a autoestima, os relacionamentos e a forma como a pessoa lida com emoções ao longo da vida adulta.
Falar sobre bullying é uma das estratégias mais eficazes para preveni-lo. O diálogo aberto, tanto na escola quanto em casa, deve incentivar o respeito às diferenças, a empatia e a comunicação.
“A criança que se sente ouvida e orientada tende a lidar melhor com conflitos e a buscar ajuda quando necessário”, afirmou a especialista.
Mais do que combater casos isolados, o desafio é construir ambientes seguros e acolhedores, onde o respeito faça parte da convivência diária.



