Por Bruno Manson
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A Polícia Civil revelou mais detalhes de como agia o grupo suspeito de movimentar aproximadamente R$ 97 milhões com exploração de jogos de azar. A organização foi alvo da Operação Quebrando a Banca, deflagrada na terça-feira (13) pela Divisão Especializada em Investigações Criminais (Deic) de Piracicaba. A ação ocorreu simultaneamente em São João da Boa Vista, Mogi Mirim, Santa Rosa de Viterbo, Ribeirão Preto e São Paulo, resultando na apreensão de dispositivos eletrônicos, instrumentos de apostas, carros de luxo e grande quantidade de dinheiro.
Segundo a Polícia Civil, as investigações apontam que o grupo exercia atividades criminosas complexas e estruturadas, denominadas de ‘carrossel financeiro’. A organização atuava há décadas em um esquema que envolvia jogo do bicho e diversas empresas, como construtoras, de importação e exportação, até chegar a uma plataforma de apostas on-line, as chamadas bets. Em declaração ao portal g1, a Deic informou que a quadrilha usava pessoas de origem humilde para não chamar atenção. Um dos homens investigados, por exemplo, atua como operador de caixa com salário declarado de R$ 1,8 mil, mas movimentou milhões em transações via Pix nos últimos meses.

O ESQUEMA
Relatórios do Setor de Inteligência da Polícia Civil apontam um estruturado esquema de lavagem de dinheiro. De acordo com as investigações, o grupo angariava valores através de jogos de azar, em específico do jogo do bicho, o que é proibido no país. Os suspeitos movimentavam esse dinheiro através de negócios com diversas empresas, como construtoras, empresas de importação e exportação, comércios, empresas ligadas a comércios de peixes e agropecuárias, por exemplo. Os valores, após a circulação, iam parar em uma empresa de bet com sede em Ribeirão Preto e, ao final, os recursos retornavam diretamente para o CPF do líder o grupo.
INVESTIGAÇÕES PROSSEGUEM
Responsável pelas investigações, o delegado Ivan Luis Constâncio, da Divisão Especializada em Investigações Criminais (Deic), afirmou ao portal g1 que detalhes sobre o fluxo de entrada e saída dos valores ainda estão sendo apurados. No entanto, a Polícia Civil já tem certeza de que as movimentações financeiras dos investigados são incompatíveis com as rendas declaradas.
“O esquema funciona como um ‘carrossel financeiro’: os recursos ilícitos transitam por empresas como construtoras e incorporadoras. Posteriormente, o capital é injetado na empresa de apostas on-line, por meio de transferências concentradas, retornando então à cúpula da organização com aparência de licitude”, relatou o delegado.
MOVIMENTAÇÃO
A Polícia Civil informou, ainda, que o grupo contava com gerentes e operadores financeiros que pulverizavam milhões de reais por meio de transferências e depósitos fracionados, prática conhecida como ‘smurfing’. Também como parte da estratégia de esconder a origem dos valores, a quadrilha utilizava-se de transações imobiliárias em espécie e aquisição de ativos em nome de terceiros. Um dos alvos da operação, por exemplo, adquiriu um imóvel de cerca de R$ 800 mil, pago em dinheiro, sendo que recebeu quase R$ 40 milhões de uma única pessoa investigada em Mogi Mirim. Com a prática, o líder da organização chegou a movimentar mais de R$ 25 milhões apenas em um único semestre de 2024. De acordo com o delegado, com a aquisição de bens pelos investigados, a movimentação pode chegar a R$ 500 milhões.

A OPERAÇÃO
Intitulada Quebrando a Banca, a operação mirou o líder da organização criminosa e, ao menos, outros sete integrantes, além do braço empresarial, que servia como destino para as transferências bancárias. Ao todo, 14 mandados de busca e apreensão foram cumpridos em cinco cidades. Ninguém foi preso na ocasião.
Dentre as apreensões estão dispositivos eletrônicos, instrumentos de apostas, valores em espécie, joias, relógios de luxo, um cofre, documentos e dez veículos — como Porsche 911, Porsche Cayenne GTS, BMW X1, caminhonetes RAM e SUVs. Com base nas apreensões feitas, a Polícia Civil busca identificar elementos de fraude no destino do dinheiro arrecadado.
Os investigados devem responder por lavagem ou ocultação de bens, associação criminosa e exploração de jogos de azar. Os nomes deles não foram divulgados.




