Estudos alertam e especialista questiona consumo de refrigerantes zero

Por Ana Paula Fortes
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Com a promessa de menos calorias e ausência de açúcar, os refrigerantes zero conquistaram espaço na rotina de quem busca controlar o peso ou reduzir o consumo de açúcar. No entanto, pesquisas recentes e a avaliação de especialistas indicam que essas bebidas estão longe de serem sinônimo de saúde e devem ser consumidas com cautela.

Refrigerante Zero: Consumo excessivo pode causar acúmulo de gordura no fígado (Divulgação/iStook)

Um estudo apresentado pela Sociedade Europeia de Endoscopia Gastrointestinal, acendeu um alerta ao associar o consumo de bebidas adoçadas artificialmente a um aumento de até 60% no risco de desenvolvimento de esteatose hepática, condição caracterizada pelo acúmulo de gordura no fígado. De acordo com os pesquisadores, esses produtos podem provocar alterações metabólicas, levando a picos de glicose e insulina que comprometem a saúde hepática.

Para o nutricionista Rafael Vilela, o principal benefício dos refrigerantes sem açúcar em relação aos tradicionais está restrito à redução calórica. “A ausência de açúcar adicionado e o menor valor energético podem ser úteis para pessoas que estão tentando diminuir o consumo de açúcar, especialmente em fases de transição alimentar”, explicou. Ele ressalta, porém, que esse benefício não torna a bebida saudável. “O efeito positivo depende de todo o contexto alimentar. Isoladamente, o refrigerante zero não promove saúde”.

IMPACTOS NO METABOLISMO

Segundo Vilela, a redução de calorias pode até auxiliar no controle de peso quando há substituição direta do refrigerante comum pela versão zero, mas o resultado não é garantido. “Do ponto de vista energético, a troca pode ajudar, principalmente em quem consome refrigerante com frequência. Mas isso não significa que haverá emagrecimento se o restante da alimentação for desorganizado”, afirmou.

Outro ponto de atenção é o impacto dos adoçantes artificiais no comportamento alimentar. O sabor doce intenso, mesmo sem açúcar, pode manter o paladar condicionado. “Em algumas pessoas, a exposição frequente ao doce pode dificultar a redução do desejo por açúcar. Isso é mais comportamental do que metabólico, mas pode atrapalhar a reeducação alimentar”, avaliou.

Apesar de não conter açúcar, o refrigerante zero continua sendo um produto ultraprocessado, com aditivos químicos e ausência de nutrientes essenciais. “Não é correto comparar esse tipo de bebida com água. Ela não contribui para a hidratação de forma adequada e não oferece vitaminas ou minerais”, destacou.

Para quem deseja reduzir o hábito, Rafael Vilela orienta que o refrigerante zero pode até ser utilizado de forma estratégica e temporária, mas não deve se tornar rotina. “O foco deve ser educação alimentar, com a água como bebida principal e a diminuição gradual da dependência por sabores muito doces”, afirmou.

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