Por Bruno Manson
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O Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) coletou 961 escorpiões vivos durante uma ação realizada no Cemitério São João Batista, em São João da Boa Vista. Realizada no período noturno, a operação resultou na coleta de 611 exemplares em setembro e outros 350 em outubro, sendo todos encaminhados ao Instituto Butantan, em São Paulo (SP).
De acordo com o CZZ, este trabalho visa avaliar o índice de infestação, orientar estratégias de controle populacional e contribuir para a produção do soro antiveneno. Os escorpiões enviados ao Butantan têm o veneno processado para a formulação do soro utilizado no atendimento de pessoas picadas pelo aracnídeo.

Além desta mobilização, São João da Boa Vista sediou uma capacitação voltada ao controle de escorpiões, promovida pela Secretaria de Estado da Saúde por meio do Departamento Regional de Saúde (DRS-14). O treinamento ocorreu nos dias 17 e 18 de novembro, reunindo representantes de 20 municípios e com atividades teóricas e práticas. A etapa de campo foi realizada em uma área verde nas imediações da Vila Carvalho e em residências próximas ao Estádio Getúlio Vargas Filho, do Palmeiras Futebol Clube, no bairro São Benedito.
ESPÉCIES PERIGOSAS
São João da Boa Vista abriga duas das espécies mais perigosas de escorpiões do Brasil. A principal é o escorpião-amarelo (Tityus serrulatus), o qual é predominante no município e causador de acidentes graves, com registro de óbitos, sendo considerado o mais venenoso da América do Sul. Já a segunda espécie encontrada é o escorpião-marrom (Tityus bahiensis), responsável pelo maior número de acidentes em áreas rurais de todo o território nacional.
ABRANGÊNCIA E PROLIFERAÇÃO
Segundo o Centro de Controle de Zoonoses, o escorpião-amarelo pode ser encontrado em diversas regiões da cidade, desde áreas centrais e demais bairros até as proximidades da linha do trem e aglomerados urbanos perto de áreas verdes – locais onde a incidência tem sido maior. Já o escorpião-marrom vive principalmente perto de áreas verdes.
O CCZ relata que a proliferação do escorpião-amarelo em São João da Boa Vista se deve ao fato de sua total adaptação ao ambiente urbano e a diminuição dos predadores naturais – como corujas, lagartos, sapos e, principalmente, os gambás. Além disso, a espécie não necessita do macho e da fêmea para reprodução, uma vez que possui a capacidade de se reproduzir assexuadamente por meio de partenogênese.
CUIDADOS
Desde o início do ano, o Centro de Controle de Zoonoses registrou 188 atendimentos relacionados ao aparecimento de escorpiões. O chefe do CCZ, Hercules Fonseca, explica que, ao encontrar um exemplar em casa, a primeira medida é manter distância e evitar qualquer contato direto. “A forma mais segura de contê-lo é cobri-lo com um recipiente rígido e deslizar uma base por baixo, sempre usando calçados e mantendo atenção redobrada”, explicou.
Após esse procedimento, o morador deve acionar o Centro de Controle de Zoonoses para recolhimento e orientações. Também é possível levar o aracnídeo diretamente ao órgão para receber as instruções necessárias. “Recomenda-se ainda manter ralos fechados, vedar frestas e remover entulhos que possam servir de abrigo. Brinquedos, roupas e calçados não devem ficar do lado de fora à noite, e é importante verificá-los antes do uso”, orientou Fonseca.
Em caso de picada de escorpião, a orientação é que a pessoa seja levada para um hospital ou pronto-socorro o mais rápido possível. Crianças, idosos e indivíduos com condições de saúde preexistentes requerem atenção ainda mais imediata.




