Por Bruno Manson
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Considerado um dos nomes fortes do governo federal, o ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, tem atuado junto à diversas frentes na região de São João da Boa Vista. Em entrevista ao O MUNICIPIO, ele comentou sobre as articulações para a implantação do trem turístico regional, a criação do grupo de fomento à bacia leiteira e outras ações que o ministério tem promovido.
Com uma agenda intensa de reuniões e mobilizações, o ministro destacou a importância de aproximar as políticas federais da realidade local e de retomar projetos que foram interrompidos no passado. Confira os principais pontos da entrevista:

século e só perdemos para o primeiro governo do presidente Lula” (Clovis Vieria/O MUNICIPIO)
O MUNICIPIO: Paulo, a gente tem acompanhado suas articulações em diversas questões da nossa região e uma das ações mais recentes foi uma reunião para tratar a respeito do trem turístico. Como é que está esse projeto?
Paulo Teixeira: Nós conversamos com o governo federal, com o DNIT [Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes] e também com a concessionária da linha férrea da região [VLI Logística/Ferrovia Centro-Atlântica] para a instalação desse trem turístico no trecho que vai de Aguaí, passa por São João, Águas da Prata, no ponto da Cascata, e Poços de Caldas. Estavam os representantes das quatro cidades. Nós fizemos a postulação e eles [órgãos envolvidos] agora vão nos dar uma resposta. Eles pediram um prazo que está vencendo agora em meados de dezembro. Nós vamos fazer uma nova reunião para saber das providências que tomaram. Na verdade, eles precisam de duas coisas: uma autorização da empresa concessionária para que possa funcionar na malha esse trem turístico e, ao mesmo tempo, nós vamos buscar viabilizar recursos federais para ajudar uma empresa que explorará esse serviço. Espero que em meados de dezembro nós já tenhamos um retorno deles sobre as providências que irão tomar.
O MUNICIPIO: Com relação à criação desse grupo de fomento da bacia leiteira, como que estão os trabalhos?
Teixeira: Este grupo tinha 30 dias [para apresentar diagnósticos e propor medidas que ampliem a sustentabilidade econômica, ambiental e produtiva da cadeia leiteira] que vão vencer em breve. Eu vou receber as propostas deles e fazer uma reunião envolvendo o Ministério da Agricultura, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar e o Ministério da Fazenda e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços para que possamos olhar as sugestões e ver quais políticas nós já podemos adotar de curto prazo.
O MUNICIPIO: A gente percebe que o Ministério do Desenvolvimento Agrário tem feito reuniões aqui na região e mobilizado agricultores familiares. Como que você avalia essas ações que estão sendo realizadas?
Teixeira: É um trabalho importante para que nós tenhamos contato com a realidade. Por exemplo, quando aumentaram as tarifas para os produtos brasileiros, nós insistimos muito na excepcionalidade para o café – que é muito produzido nessa região. E, finalmente, eles [governo norte-americano] suspenderam em função, inclusive, dos prejuízos para a sociedade americana. Aqui na região também estamos trabalhando para que as políticas federais cheguem mais rapidamente. Isso requer que os agricultores tirem o CAF [Cadastro Nacional da Agricultura Familiar], pois assim terão acesso a 20 políticas públicas federais que vão desde o crédito do Pronaf [Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar] até aquelas relacionadas a cooperativas e outras ações. Nossa equipe está dialogando para apressar essa aproximação das políticas federais com a região. Ao mesmo tempo, nós estamos querendo retomar políticas que foram feitas há cerca de 12 ou 13 anos atrás e que, em função da saída da [ex-presidente] Dilma, não foram completadas. Nós fizemos um levantamento do planialtimétrico cadastral das propriedades da região. Isso está pronto! Nós precisamos dar continuidade a esse programa para titular essas propriedades, regularizá-las para que tenham um Cadastro Ambiental Rural e, enfim, para que dê um upgrade nessas propriedades.
O MUNICIPIO: Como avalia a recente prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro?
Teixeira: É um cenário para ficar na história do Brasil porque, até então, todos que tentaram promover um golpe de Estado nunca foram punidos. Pela primeira vez, generais de cinco estrelas foram presos sem que tivesse qualquer ruído. E isso, para a história do Brasil, é muito importante. Eles tentaram dar um golpe com o uso de armas, tinha até uma operação chamada ‘Punhal Verde e Amarelo com o objetivo matar o Alexandre Moraes, o presidente Lula e o vice-presidente Geraldo Alckmin e tomar o poder. Eles já tinham uma minuta de estado de exceção para tomar o poder e iam suprimir as nossas liberdades. Aliás, a lei em defesa do Estado Democrático de Direito, que o Jair Bolsonaro e esses militares foram incursos nela, é de minha autoria. Foi uma lei que eu propus em 2020, quando senti que eles tinham como objetivo dar um golpe de Estado. Foram vários juristas que me sugeriram. Eu protocolei e resultou nessa lei em defesa do Estado Democrático de Direito. Para a história do Brasil é uma sinalização importante de que quem tentar dar golpe de Estado será preso.
O MUNICIPIO: Em relação ao momento que o Brasil vivencia atualmente, como você analisa este cenário atual?
Teixeira: Vejo que a sociedade brasileira está vivendo um momento muito importante. Os dados econômicos são muito positivos. Nós estamos tendo o segundo crescimento maior desse século e só perdemos para o primeiro governo do presidente Lula. Nós também temos a menor taxa de desemprego da série histórica. Esta é a maior taxa de renda do trabalho da série histórica. O melhor Índice de Gini, [indicador] que mede a desigualdade social da história do Brasil – nós estamos vivendo agora – e a menor inflação do país. E o país voltou a pensar em se industrializar. Tem o [programa] Nova Indústria Brasil, que é comandado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin. Nós temos dados muito positivos e que colocam o presidente Lula bem-posicionado para as eleições do ano que vem.




