Por Clovis Vieira
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No sábado (13), a atriz, diretora de teatro e coreógrafa brasileira Clarice Abujamra subiu ao palco do teatro na Estação das Artes ‘João Roberto Simões’, para entregar ao público um show intimista na 48ª Semana Guiomar Novaes. Esse encontro da artista com o público foi promovido pela Academia de Letras de São João da Boa Vista. No palco, interpretou poemas de diversos autores, falou de sua vida como artista, aproveitando ‘deixas’ para encadear textos poéticos nessas ‘confissões’, falou sobre seu tio, o premiado diretor de teatro e de televisão, ator e apresentador brasileiro Antônio Abujamra e da influência dele em sua carreira. Ela completa, este ano, 57 anos de palco.
Acompanhada de seu irmão, o pianista Ivan Abujamra, Clarice, no entanto, deixou transparecer uma certa ‘improvisação’ na apresentação de ambos. Não havia um iluminador designado para o show e a atriz, por vezes, mergulhava no escuro do palco, tendo que procurar pela luz dos refletores para ser vista. Também pareceu ter descartado inúmeros poemas, quando atirava para o alto folhas de papel onde eles, supostamente, estavam escritos.
E não apresentou uma sequência teatral em que houvesse um encerramento claro do espetáculo, bastante elogiado quando estreou em 4 de maio de 2002. Mesmo assim, com voz poderosa e interpretação precisa, encantou o pequeno e selecionado público presente e recebeu a imprensa para entrevista ao final do show.
A passagem do trem ao lado, em certo momento do show, a fez interromper um poema no meio e perguntar ao público que som forte era aquele. “Antônio-da tua tão necessária poesia”, nome do espetáculo, presta homenagem aos Antônios da vida de Clarice, Antônio Fagundes entre eles, e o seu neto Antônio, recém-nascido.

ENTREVISTA
O MUNICIPIO: O que é mais fácil apresentar num palco: texto teatral ou poemas?
CLARICE: Teatro, sem sombra de dúvidas! No teatro se pode improvisar, se for preciso; a poesia tem métrica, tem rima e é preciso quase que prever a possibilidade de não se lembrar algum trecho e tentar resolver antes, não dá para resolver na hora em que dá aquele ‘branco’ ou quando de engasga ao falar. E isso pode acontecer com qualquer um.
O MUNICIPIO: O público reage melhor em qual dessas escolhas?
CLARICE: Ele reage bem a ambos. O público chega um pouco incrédulo, quando se trata de poesia. Eu acho mais difícil trazer as pessoas para assistir a um espetáculo de poesias do que para o teatro tradicional. Quando se trata de um espetáculo de poesia, e eu vejo o teatro cheio, é uma vitória pra mim.
O MUNICIPIO: A quantas anda o teatro brasileiro?
CLARICE: Aos trancos e barrancos e maravilhoso como sempre! Nós passamos por diversas fases. Esta fase atual se mostra bem difícil e, ao mesmo tempo, é um orgulho, porque entre cem peças atualmente em cartaz na capital, 80 são geniais. Eu penso que, em poucas vezes, o repertório de teatro em São Paulo esteve tão refinado, tão bom, atingindo todo tipo de público, desde a comédia até o drama.
O MUNICIPIO: Que personagem você ainda não fez e está querendo muito fazer?
CLARICE: Ah, uma velha louca, bêbada, maravilhosa, de preferência mendiga, que sabe tudo da vida, em que eu não precise pôr maquiagem, nem trocar de roupa ao longo da peça.
Poema de Vinícius de Moraes desperta a curiosidade da atriz
Momentos especiais aconteceram entre o repórter do O MUNICIPIO e a artista. Logo ao entrar no camarim para a entrevista, ela ouviu do jornalista: “Clarice, eu te peço perdão por te amar de repente, embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos. Das horas que passei à sombra dos teus gestos, bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos…” Surpresa, ela ficou sem palavras por uns instantes, até que foi informada que a inesperada declaração se tratava de um poema.
Mais tarde, por volta das 22h, a assessora de comunicações da 48ª Semana Guiomar Novaes, Jéssica do Carmo, entra em contato com o repórter: “Por favor, me ajuda. Estou com a Clarice e ela quer saber qual é o poema que você recitou para ela na entrada do camarim”. Foi o poema ‘Ternura’, de Vinicius de Moraes, também recitado por Walmor Chagas em espetáculo poético ocorrido na sede social da Esportiva Sanjoanense, nos anos 1970.
A suposição é a de que Clarice Abujamra tenha sido envolvida pelas palavras da poesia e se impressionado ao ponto de querer informações sobre o texto. Quem acompanhou esses momentos especiais crê que ela o utilizará em espetáculo futuro.



