Por Clovis Vieira
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A compositora, pianista, arranjadora, cantora e educadora brasileira-americana Clarice Assad, 47, recebeu a reportagem do O MUNICIPIO na sexta-feira (25) para uma entrevista exclusiva. Ela apresentou-se na abertura do Festival Assad 2025, acompanhada dos músicos Badi Assad (sua tia) e Diego de Jesus. Ela é a primeira filha do músico Sérgio Assad e da professora Celia Maria Vasconcelos da Cunha, que deu a ela o nome em homenagem à falecida escritora brasileira-ucraniana Clarice Lispector.
Nasceu em 9 de fevereiro de 1978, em Campo Grande, subúrbio da zona oeste do Rio de Janeiro. As composições de Clarice incluem peças para uma variedade de instrumentações, incluindo obras menores para piano e violão, bem como para grandes e pequenos conjuntos de câmara e obras orquestrais. Sua música tem sido encomendada por muitas instituições, artistas e orquestras, incluindo o Carnegie Hall, a Boston Philharmonic Youth Orchestra, a Los Angeles Philharmonic, a Philadelphia Orchestra, a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, a General Electric, a Chicago Sinfonietta, e Duo Noire, para citar alguns.

ENTREVISTA
Extremamente simpática, com voz calma, em volume baixo, Clarice Assad recebeu O MUNICIPIO no Centro Livre de Arte e Cultura (Clac), onde, em outro local, acontecia a Master Class de violão, ministrada por Paulo Bellinati.
O MUNICIPIO: O que significa ser o foco de um encontro de música, como é o Festival Assad?
Clarice: Eu vou falar por todos nós: é uma grande honra ter uma semana dedicada à música brasileira, quando a gente pode comemorar a beleza da música instrumental deste País. E olhar o nome ‘Assad’ na fachada linda daquele teatro, que é uma joia… é quase inacreditável. É muita honra mesmo.
O MUNICIPIO: O violão não é o seu primeiro instrumento, como o é para Badi, Sérgio e Odair, quando aconteceu o ‘desvio’ para o piano?
Clarice: Quando meu pai percebeu eu tinha facilidade com a música, imaginou que o meu forte seria compor, criar… E considerou que o piano fosse um instrumento melhor para compor, o que é, de fato. O piano é como se fosse uma orquestra simplificada, tudo está ali na sua frente, os acordes, a melodia… o violão é mais difícil!
O MUNICIPIO: Como você escolhe o repertório para uma apresentação?
Clarice: Óbvio que estou sempre pensando no que vai conectar com o público, não é? Mas também tem aquelas fases que a gente passa como artista, o que a gente está fazendo na ocasião em que o concerto vai acontecer. O artista vai evoluindo naturalmente e surgem questões como ‘o que eu estou fazendo agora, o que posso levar de novidade para o público, que eu ainda não fiz em São João, por exemplo. A gente vai dosando com algumas coisas que a gente sabe que todo mundo conhece e curte e põe umas coisas extras pra ver o que acontece.
O MUNICIPIO: O que vem pela frente, em sua carreira musical?
Clarice: O que de mais legal vai acontecer no domingo (13), em São Paulo, é a estreia da trilha sonora que estou assinando para o espetáculo em comemoração aos 50 anos do ‘Grupo Corpo’. Eu estarei lá para ver e ouvir a apresentação. Nesse caso o que me inspirou para criar essa trilha sonora foram duas coisas: a passagem dos 50 anos dessa companhia de dança, que é um marco incrível; e pelo fato de eu ser a primeira mulher a ser chamada para assinar uma trilha para o ‘Corpo’, em 50 anos. Então, eu criei uma peça que fala um pouco sobre a passagem do tempo, sobre o retornar à casa.
O MUNICIPIO: São João da Boa Vista tem para você a mesma ‘magia’ que encantou seus avós paternos e que hoje encanta seus tios e seu pai?
Clarice: São João sempre teve essa magia em mim, porque eu venho para cá desde menina; então, eu também vi as mudanças que a cidade sofreu… mudou tanto. Eu acompanhei toda essa mudança e sinto São João como se fosse uma segunda casa pra mim.




