Por Ana Paula Fortes
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Apesar do corte de verbas no Ministério da Educação (MEC) que restringiu a compra de livros didáticos apenas às disciplinas de português e matemática, o município de São João da Boa Vista assegura que suas escolas, do Ensino Fundamental I, não serão prejudicadas em 2026. A garantia foi dada pela diretora municipal de Educação, Maria Helena Angeline Santana, que atribui a tranquilidade à parceria com o programa estadual Alfabetiza Juntos.
“O fornecimento de materiais e a formação continuada dos professores estão garantidos por meio dessa colaboração com o governo do Estado”, explicou Maria Helena. Segundo ela, o programa complementa os recursos federais e assegura a qualidade da educação municipal mesmo diante do cenário de restrição orçamentária nacional.

POUCOS LIVROS
Em nível federal, o orçamento atual do MEC, de R$ 2 bilhões, foi considerado insuficiente para suprir toda a demanda por livros didáticos para 2026. De acordo com a Associação Brasileira de Livros e Conteúdos Educacionais (Abrelivros), seria necessário ao menos R$ 1 bilhão adicional para contemplar todas as séries e disciplinas. Como medida emergencial, o ministério limitou a aquisição de livros às áreas de português e matemática para o 1º ao 3º ano do ensino fundamental.
A Associação Brasileira dos Autores de Livros Educativos (Abrale) classificou a medida como um “grave retrocesso”, alertando para o risco de desvalorização de matérias como História, Geografia, Ciências e Artes — disciplinas que, especialmente nos primeiros anos escolares, utilizam livros consumíveis que precisam ser substituídos anualmente.
Até o momento, das cerca de 59 milhões de obras previstas para os anos iniciais do fundamental, apenas 23 milhões foram encomendadas, todas voltadas ao ensino de português e matemática. Nenhum exemplar de História, Geografia, Ciências ou Artes foi adquirido para essas séries. Nos anos finais (6º ao 9º), apenas 3 milhões de livros foram encomendados para português e matemática, enquanto outros 9 milhões de livros previstos para cobrir o restante do currículo ainda não foram comprados.
O impacto também se estende ao ensino médio, reformulado recentemente, que demandaria cerca de 84 milhões de livros — número que ainda não foi plenamente atendido. Na Educação de Jovens e Adultos (EJA), estima-se que entre 7 e 10 milhões de exemplares deixaram de ser encomendados.
ESTADO DE SÃO PAULO
O governo do Estado de São Paulo, afirma que vai distribuir livros pedagógicos próprios devido a atrasos do MEC e que nenhum estudante ficará desassistido
O ex-professor da rede estadual Antônio Artequilino, alerta para a baixa qualidade do material digital que já é oferecido por parte do governo estadual. “A Seduc de São Paulo abandonou o PNLD para os anos finais e o ensino médio, mas o material próprio produzido tem sido alvo de duras críticas por parte de professores e estudantes. A qualidade é questionável”, afirmou. Ele compartilhou sua análise em um vídeo publicado em seu canal do YouTube, onde aponta falhas no planejamento pedagógico da rede.
Um professor da rede estadual, que preferiu não se identificar, endossou as críticas. “Faltam recursos adequados para trabalhar com os alunos. O material digital nem sempre é acessível e nem sempre responde às necessidades reais da sala de aula”.


