Escolha do novo papa divide opiniões de sanjoanenses

Por Ana Paula Fortes
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Com a morte do papa Francisco, os católicos de São João da Boa Vista acompanham com atenção os preparativos para o conclave que elegerá o novo líder da Igreja Católica. Entre esperanças por continuidade, mudanças e manutenção dos valores tradicionais, os fiéis não escondem suas expectativas em relação ao futuro pontífice.

A contadora Eveline Martins, 29, espera um pontífice alinhado com a doutrina católica tradicional. “Rezo para que o novo papa seja fiel aos mandamentos da Igreja, com um perfil mais conservador, reforçando valores fundamentais como família, matrimônio e catequese”, disse.

Votação: cardeais de todo o mundo se reunirão para eleger um novo líder da Igreja Católica nesta quarta-feira (7) (Reprodução/Diogo Ventura/Observador)

A aposentada Sônia Saecheta, 75, acredita que esta eleição do papa será mais inclusiva e democrática que a anterior. “Este conclave será mais abrangente pois contará com uma maior representatividade de cardeais advindos de diversos países e continentes, e, com isso, espero que seja mais santo também. Minha expectativa é que a escolha seja feita por consenso e não apenas por maioria, resultando em um papa que seja um humilde pastor, que ore por seu rebanho, promova o diálogo, defenda os necessitados e excluídos e que guie a Igreja com mão firme e compaixão”, declarou.

A farmacêutica Yara Berto, 53, espera que o próximo líder católico mantenha a linha do papa Francisco, com atenção às minorias. “Espero que o novo papa siga as diretrizes do pontificado anterior, mantendo o cuidado com os pobres e a simplicidade evangélica que marcou Jesus”, defendeu.

Lourdes Gomes, 85, compartilha da mesma opinião e expectativa, destacando o legado de Francisco e desejando um sucessor com as mesmas virtudes. “Ele foi um homem honesto, de uma visão superior, de uma humildade sem igual, exemplo de um ser cristão”, elogiou.

A VISÃO DOS SACERDOTES

O padre Carlos Alberto Baptistine, do Santuário Nacional de Aparecida, explica que o conclave não é uma eleição comum, mas um processo espiritual. “Não é uma eleição como conhecemos no Brasil, com os candidatos apresentando seu plano de governo. O conclave é a escolha de um papa para nos indicar como viver a caminhada cristã como católicos. A expectativa é que o novo papa seja acolhedor e oriente os fiéis a viverem os valores cristãos”, disse.

Ele reforça que, independentemente do estilo de cada pontífice, a essência da Igreja permanece. “Cada papa reforça sempre um modo de viver este Jesus Cristo. Alguns com mais ênfase na liturgia, outros em igreja solidária ou ainda com aspectos jovens e assim vai, porém, todos vivendo Jesus Cristo que acolhia a todos, e assim a Igreja deve ser”, finalizou.

O padre Valdeir dos Santos Goulart, pároco em São Paulo (SP), ressalta a importância da espiritualidade no próximo papa. “Que seja um pastor que ame profundamente as ovelhas, atento aos pobres e necessitados, e que viva a liturgia com nobre simplicidade, conforme o Vaticano II”, afirmou.

COMO SERÁ O CONCLAVE

Nesta quarta-feira (7), cardeais de todo o mundo se reunirão na Capela Sistina para eleger um novo líder da Igreja Católica. Haverá uma missa especial às 10h na Basílica de São Pedro e, logo após uma oração na Capela Paulina do Vaticano, no final da tarde, às 16h30, o conclave terá início e continuará até que um novo pontífice seja eleito. Os cardeais caminharão em procissão até a Capela Sistina e prestarão juramento de sigilo.

Com raízes na Idade Média, quando a própria ideia de soberania eletiva era revolucionária, o conclave ainda hoje carrega um fascínio enigmático, já que seus membros estão irrevogavelmente ligados por um pacto de silêncio.

Segundo o Vaticano, os cardeais da Igreja Latina vestirão batina vermelha com faixa, roquete, mozeta, cruz peitoral com cordão vermelho e dourado, anel, solidéu e barrete. Já os da Igreja Oriental usarão suas vestes corais próprias. Cada cardeal usará um crachá de identificação como eleitor.

Embora Francisco e seu antecessor, Bento XVI, tenham sido eleitos após dois dias de votação, o conclave mais longo da história demorou 33 meses, quase três anos, para eleger Beato Gregório X como papa, em 1271.

Dos 252 cardeais da Igreja, apenas 135 são elegíveis, pois apenas os menores de 80 anos têm direito a voto. Porém, participarão do conclave 133 purpurados, já que dois não participarão por motivos de saúde.

A maioria dos cardeais votantes, cerca de 80%, foi nomeada por Francisco, vindos de todas as partes do mundo, inclusive de regiões tradicionalmente sub-representadas.

São realizadas quatro votações por dia, duas pela manhã e duas à tarde, até que um candidato alcance dois terços dos votos, o que atualmente representa 89 votos.

Após cada votação, as cédulas são queimadas. Se nenhum papa for eleito, a fumaça é preta. Se houver um novo pontífice, a fumaça é branca.

Se após três dias não houver eleição, os cardeais fazem uma pausa para oração e conversas.

Com a escolha do novo papa o primeiro passo é realizado pelo Decano dos Cardeais que questiona o candidato vencedor se aceita o pontificado e, em caso afirmativo, que nome escolherá como papa.

Após a aceitação o papa eleito se retira para o chamado ‘Quarto das Lágrimas’ para vestir os paramentos papais. São deixados três tamanhos prontos com antecedência.

O novo líder dos 1,4 bilhão de católicos do mundo então surge na sacada com vista para a Praça de São Pedro, onde um cardeal anuncia: ‘Habemus Papam!’.

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