Por Bruno Manson
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Os problemas relacionados ao atendimento na saúde pública de São João da Boa Vista estiveram no foco do debate na Câmara Municipal. Durante a sessão realizada na noite de segunda-feira (28), as vereadoras Hellen Gregório (Podemos) e Walquíria Oliveira (Republicanos) apresentaram um requerimento solicitando informações sobre os procedimentos adotados na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e convidando o médico Farid Farrage Abd El Fatah, diretor-técnico do local, para prestar esclarecimentos.

No documento, elas ainda citaram o recente caso que ganhou repercussão nas redes sociais, de uma criança que sofreu fratura exposta no braço após o ataque de um cachorro e teve o ferimento apenas fechado com pontos cirúrgicos ao passar pela UPA.
Abrindo a discussão, Hellen observou que a prefeitura contratou o Instituto Nacional de Gestão para Excelência em Saúde (Ingex Saúde) para gerir a rede de saúde municipal, porém, a situação piorou. Conforme apurado, o valor total do contrato com organização social é de R$ 23.207.993,10 e tem vigência de seis meses. A instituição iniciou as atividades no município em 1º de março. “Trocou-se a OS [organização social]. Paga-se mais para esta OS e, mesmo assim, o problema só se agrava”, afirmou.
Outro ponto destacado por ela é o atendimento em algumas Unidades Básicas de Saúde. “Muitos munícipes têm reclamado que vão nas UBSs, mas não conseguem as consultas porque não é agendado com antecedência. E quando é agendado com antecedência, demora-se dias, semanas! Já acompanhei caso que demorou um mês para ser feito o agendamento. Isso é algo inadmissível! Por isso que sobrecarrega a UPA, no meu ponto de vista!”, relatou.
Na ocasião, a vereadora até mencionou a possibilidade de se abrir uma sindicância para apurar todos estes problemas. “A gente não pode normalizar este tipo de coisa!”, concluiu.
CRÍTICAS
O debate prosseguiu com outros vereadores se manifestando e fazendo duras críticas ao Ingex. “A situação está se tornando um caos. Até quando nós vamos ficar vivendo essa situação?”, indagou Nei da Farmácia (Novo).
Já dr. José Sabino Neto (Novo) falou sobre a falta de fiscalização nas Unidades de Saúde e na UPA, enquanto que Walquíria questionou o trabalho executado pela organização social no atendimento aos pacientes. “A gente precisa de uma gestão eficaz. O que vem acontecendo hoje é uma negligência. São pessoas que, infelizmente, não estão qualificadas para assumir o atendimento”, apontou.
TERCEIRIZAÇÃO
Ao comentar o atual cenário da saúde pública sanjoanense, Leandro Thomazini (PT) frisou que serviços essenciais não deveriam ser terceirizados pela prefeitura. “Eu, sendo bem franco, duvido que a solução é qualquer OS que entre aqui. Eu acho que são todas iguais. Mas se estão aqui, vamos lutar para que façam o trabalho pelo qual estão sendo pagas”, disse.
Alexandre Sassarão (Rede) também se posicionou contra a terceirização e falou que alguns funcionários da saúde têm lhe contado as dificuldades que estão enfrentando em vários plantões. “Funcionários novos entram e já pedem para sair porque o ambiente está muito difícil de trabalhar”, revelou.
EM BUSCA DE UMA SOLUÇÃO
O vereador Carioca (Republicanos) também se manifestou sobre a situação da UPA. De acordo com ele, os problemas de lotação ocorrem, principalmente, quando acontecem urgências, como acidentes ou algum caso de parada cardíaca. “O Samu tem dúvida se leva direto para a Santa Casa ou a UPA”, exemplificou.
O edil ainda observou que muitas pessoas procuram os postos de saúde e acabam encaminhadas para a Unidade de Pronto Atendimento. “A partir das 14h, tem muita gente que vai na Unidade de Saúde e não é atendida”, declarou.
Diante disso, Carioca adiantou que, para solucionar este problema, é importante a Câmara Municipal se reunir com os representantes do Ingex, Departamento de Saúde, Samu e também da Santa Casa Dona Carolina Malheiros, por conta das denúncias de altas precoces dadas a pacientes. “Vamos fazer um convite a todos para virem aqui, resolverem isso daí e pôr um ponto final”, concluiu.
“O sr. José Eduardo dos Reis tem quatro empregos”, declara Carioca durante discurso na Tribuna Livre
Um dos fatos mais comentados nos bastidores políticos tem sido o discurso do vereador Carioca (Republicanos) durante a Tribuna Livre, na noite de segunda-feira (28), na Câmara Municipal. Apesar de ser parte da base do prefeito Vanderlei Borges de Carvalho (PSD) na Casa de Leis, ele não poupou críticas à gestão municipal, em especial, na área da saúde. “Já vai fazer cinco meses do mandato do senhor prefeito e dos senhores vereadores e nada se concretizou de melhorias”, disparou.

Na ocasião, o edil também cobrou uma maior participação do vice-prefeito, o médico dr. José Eduardo dos Reis (PSB), na busca de soluções para os problemas da saúde no município. “Eu achei que o vice-prefeito de São João da Boa Vista fosse ajudar a dar uma manutenção, uma orientação aos funcionários da UPA, aos médicos”, disse. “O sr. José Eduardo dos Reis tem quatro empregos. Quatro vínculos municipais: vice-prefeito, UPA, Santa Casa e Águas da Prata [onde atua como diretor-clínico da Secretaria de Saúde local]”, destacou o vereador, mencionando que ele também deveria ser convidado para vir à Câmara Municipal prestar esclarecimentos na área da saúde.
QUESTIONAMENTOS
Carioca voltou a questionar a Santa Casa Dona Carolina Malheiros a respeito de altas precoces e adiantou que poderá até acionar o Ministério Público caso os representantes da instituição não esclareçam os fatos. “Se forem falar de lei, vou mandar todo mundo para o Ministério Público, aí resolve por lá!”, afirmou.
Durante o discurso, ele criticou a administração municipal pelo cancelamento de contratos de prestação de serviços, citando como exemplo uma empresa sanjoanense da área de segurança pública que foi afetada com a medida. O vereador ainda falou da demora no fornecimento de uniformes escolares pelo Departamento de Educação e apontou dificuldades para obter informações junto a alguns diretores municipais. “Estou vendo que hoje a saúde ainda está sendo uma extensão do governo Teresinha. O governo Vanderlei está pecando em seus diretores”, disse. “Tem diretor que não responde mais nem no WhastApp”, citou.
Ao final, o edil disse que tem apreço por Vanderlei e José Eduardo, porém, deixou claro que irá fiscalizar a gestão com mais firmeza. “Eu vou cobrar. E vou cobrar forte igual fiz no governo Teresinha”, finalizou.




