Por Pedro Souza
[email protected]
Com uma cena cultural rica, mas enfrentando desafios estruturais, São João da Boa Vista busca fortalecer suas ações na área e ampliar o acesso à cultura em toda a cidade. À frente dessa missão está Lucelena Maia, diretora do Departamento de Cultura, que assumiu a pasta no início deste ano. Ela relata que encontrou os espaços culturais em condições precárias e uma necessidade urgente de reformulação nas políticas culturais da cidade.
Nesta entrevista, Lucelena detalha os projetos que pretende implementar para descentralizar as atividades culturais e os esforços para dar maior visibilidade aos artistas locais.
Além disso, fala sobre parcerias que podem impulsionar a cena cultural do município e destaca as metas para os próximos anos.

ENTREVISTA
O MUNICIPIO: Como encontrou a estrutura e o funcionamento do Departamento de Cultura ao chegar?
LUCELENA: O Departamento de Cultura e a Biblioteca Municipal Jaçanã Altair funcionam na Cidade das Artes e, como todo o complexo – onde estão também o Teatro Lucila Martarello Astolpho e os galpões G1 e G2 – a situação encontrada foi de descuido com os espaços. Boa parte da estrutura precisa de reparos, algumas de reformas, outras de conclusão de obra, como é o caso do cinema e parte do teatro que, apesar de estar em condições de funcionamento, ainda não tem todos os camarins prontos. Em dias de chuva há gotejamentos em alguns galpões, assim como o G2 sofreu danos na parte externa. O mato tomava conta do entorno e via-se muita sujeira por todos os lados. Quanto ao funcionamento do departamento, remanejou-se algumas pessoas para adequação aos novos propósitos e assim tem funcionado bem.
O MUNICIPIO: Uma das principais queixas, em especial do público jovem, é a falta de opções de lazer. Como você avalia esse cenário e o que pode ser feito para oferecer mais atividades culturais para a população?
LUCELENA: É preciso entender essa queixa dos jovens, em se tratando de opção de lazer. Para isso está sendo criado o Conselho Municipal da Comunidade Jovem. No entanto, vale ressaltar que São João é uma cidade efervescente na cultura, seja na música, nas artes cênicas, na dança, na literatura etc. Por meio das leis de incentivo Paulo Gustavo e Aldir Blanc, os grupos culturais da cidade – contemplados por essas leis – oferecem em contrapartida oficinas e espetáculos nos teatros da cidade. É preciso que os jovens e a população se atentem à divulgação das datas, através da agenda cultural na página do Instagram da prefeitura e na página do Facebook do Departamento de Cultura, e mais, no site Agenda Viva SP a partir de março. O Theatro Municipal tem oferecido semanalmente peças teatrais e de entretenimento. Nesse mês de fevereiro retornaram as sessões gratuitas de cinema do Pontos MIS, às terças-feiras, no teatro Antonio Cândido, na Estação das Artes, sempre às 19h30. De março até maio terá exposição na Sala Fernando Arrigucci, na Estação das Artes. Em breve, aos sábados, na Fonteatro Emílio Caslini, haverá apresentação musical com a Banda Dona Gabriela e outras bandas, grupos e apresentação solo também. Outros eventos de cunho cultural serão oferecidos à população no decorrer do ano.
O MUNICIPIO: Quais ações pretende adotar para descentralizar a cultura e fomentar atividades em todas as regiões da cidade?
LUCELENA:
Num primeiro momento, posso informar somente que está em fase de elaboração o projeto “São João Somos Todos Nós”. Um concurso em três etapas simultâneas envolvendo os jovens de toda a cidade a contarem a história de seu bairro, nas mais variadas expressões artísticas. Os grupos receberão capacitação para criação de roteiro e filmagem por celular. Ao final do concurso, haverá julgamento e premiação para os três projetos mais criativos. Os vídeos vencedores se tornarão itinerantes.
O MUNICIPIO: Como você avalia o estado dos teatros e quais planos têm para melhor aproveitá-los?
LUCELENA: O descaso de quem cuida e de quem o usa leva a problemas sérios, como é o caso do Theatro Municipal, com diversos problemas existentes. O maior monumento da cidade, que dá visibilidade e notoriedade cultural ao município, pede socorro. Quanto ao teatro da Cidade das Artes, também estamos cuidando para trazer verba para a conclusão dos camarins e para o cinema, que precisa ser concluído. O anfiteatro Guiomar Novaes pouquíssimo foi usado desde a entrega da obra, mas ganhará movimentação tão logo receba a reforma necessária, já sob os cuidados da gestão. O teatro Antonio Cândido funciona normalmente.

O MUNICIPIO: Como a Cultura pode atuar para garantir mais oportunidades e visibilidade para os artistas da cidade?
LUCELENA: Uma forma que vejo de estimulá-los a se sentirem mais valorizados na arte que oferecem, no caso da música, dança e artes cênicas, seria cobrar bilheteria. A arte merece esse reconhecimento por parte de quem a consome. Por outro lado, entendemos necessária a ajuda do município, então proporemos alteração nas leis de preço público dos equipamentos culturais, englobando os teatros, o que possibilitará o empréstimo do espaço, mas, também, a possibilidade de cobrança de bilheteria, o que não acontece hoje.
O MUNICIPIO: São João está entre as cidades da região que tem recebido o Circuito Sesc de Artes. Já foi realizada alguma tratativa para que este evento prossiga? Tem alguma outra parceria cultural que o município pretende firmar?
LUCELENA: Estamos em contato com Sesc para viabilizar a parceria deste ano. O Pontos-MIS já é uma parceria fortalecida, assim como com a APAA a parceria continua, na Semana Guiomar Novaes. Através do SisEB, inscrevemos o município nos programas Viagem Literária e Exposições Itinerantes. Estamos intensificando a participação do Departamento de Cultura em editais, uma vez que grande parte das ações conjuntas ocorrem por meio desses processos seletivos.
O MUNICIPIO: Quais seus planos para a Semana Geraldo Filme?
LUCELENA: Como é um evento que acontecerá só em novembro, ainda não definimos a pauta. Mas uma coisa é certa, a Escola de Iniciação Musical Geraldo Filme fará parte do evento, com apresentação dos alunos. Esse assunto já está alinhado com os professores da escola, para juntos definirem o repertório a ser apresentado.
O MUNICIPIO: Quais são as metas do Departamento de Cultura para os próximos anos?
LUCELENA: Temos duas frentes de trabalho: cuidar, reformar, dar manutenção nos espaços públicos culturais e deixá-los em perfeita condição de uso. Mas, também, e enquanto isso, planejar com eficiência a utilização desses espaços. Um exemplo: A Cidade das Artes não atoa recebe esse nome, ela precisa funcionar como tal. Devemos colocar em funcionamento todos os galpões, com pessoas transitando o dia todo por ali, e já estamos projetando esse formato, mas não dá para falar sobre o assunto ainda. No tempo certo, abriremos essas informações.




