A Santa Casa Dona Carolina Malheiros anunciou a construção de dez novos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) para o 1º semestre. O recurso para a nova ala, de R$ 2,4 milhões, é oriundo de repasse do UniFAE (Centro Universitário das Faculdades Associadas de Ensino). O processo, ainda em fase orçamentária, deverá passar por licitação para sua implantação.
A informação é do diretor-administrativo do hospital, Osman Ribeiro, durante entrevista exclusiva à reportagem do O MUNICIPIO, na tarde de anteontem (19). Na ocasião, ele apresentou balanço de um mês à frente da instituição de Saúde.
Segundo Ribeiro, pelo projeto anterior, o montante seria aplicado na reforma da ala antiga de UTI. Mas o programa foi reavaliado pela área técnica e médica do hospital e decidida a implantação da nova unidade que, depois de pronta, receberá pacientes remanejados da ala atual – que também passará por análise e estudos para sua reforma posterior. “Prontos esses novos dez leitos, vamos transferir os pacientes para eles e, daí por diante, há até a possibilidade de transformar a ala antiga em uma UTI Coronariana. Estamos dependendo de orçamento, mas neste 1º semestre já teremos o início das obras”, afirmou.
Para o diretor-administrativo, hoje, a demanda da Santa Casa é de, no mínimo, 15 leitos de UTI, incluindo a Regionalização e as operadoras de Saúde. “Pode acontecer de termos 20 leitos no total. Tudo vai depender do momento, de parcerias”, disse.
ATRASOS
Ribeiro ainda falou sobre os graves problemas financeiros e econômicos enfrentados pelo hospital, dos atrasos na folha de pagamento dos funcionários, fornecedores e médicos. “Os atrasos devem continuar até se estabelecer um fluxo de caixa do hospital e não houver programação dos pagamentos”, adiantou.
Conforme o diretor, a verba repassada pela Prefeitura à Santa Casa está em desencaixe e até o ano passado a Administração tinha como adiantar o pagamento, que sempre coincidia com a folha. “Mas de janeiro para cá, eles não têm mais condições de fazer isso. Então, o pagamento ficou entre o dia 15 e 18. E o que faz o pagamento da minha folha é o repasse da Prefeitura. Como não tenho em caixa, não temos como ‘bancar’”, comentou.
DÍVIDA
Ribeiro fez um diagnóstico geral, falou sobre o financiamento da dívida do hospital, afirmou que já tinha um conhecimento da real situação da Santa Casa antes de assumir o cargo, mas evitou falar em cifras. “Seria imprudente falar ‘a Santa Casa deve X milhões, tanto para fornecedores, Y para impostos’. Talvez, quando informatizarmos e reorganizarmos o departamento financeiro, possamos informar algo nesse sentido. Hoje seria prematuro. Existe uma renegociação da dívida, as taxas começaram a cair e continuam em queda. Então, me parece que alguns bancos sinalizaram interesse em absorver isso”, disse.
Mas ele pontuou que a situação é crítica, tanto em termos financeiros e econômicos, como de gestão e de processos. “Observamos que os gestores que passaram pelo hospital somente procuraram ‘tapar-buraco’. A auditoria feita ano passado deixou isso bem claro. Não tive acesso ao relatório final, mas obtive informações com membros da Mesa Administrativa, que não houve preocupação em se resolver problemas crônicos, com origem no processo”, apontou.
Ele disse ainda que não existe um processo dentro dos departamentos. “Mas existe a boa vontade e a dedicação dos funcionários. Fiquei sensibilizado e vê-los tentando resolver os problemas da Santa Casa. Mas é como se você jogasse um pedaço de carne no meio de um formigueiro. Ainda aí, acredito que aconteceria algo mais ordenado do que hoje acontece. Não há uma sequência e comunicação entre os setores. E a consequência disso é a perda de faturamento”, disse.
Contudo, o diretor acredita que a crise é um caso solúvel. “Precisamos tomar decisões pensando na Santa Casa, o que não aconteceu até hoje. Aliados a essas decisões, precisamos ter números e informações consistentes. Portanto, trabalhamos em cima do software, de gerenciamento da Santa Casa”, informou.
NOVO SISTEMA
Osman Ribeiro garantiu um novo sistema de processamento de dados para a implantação do prontuário eletrônico. “Vai ser implantado, ou com a empresa que já está aqui dentro ou através de outra. Já temos a proposta do novo sistema (software). Vamos entender quais os problemas, os recursos, e a ideia é saber se, com o que temos, podemos readequar e fazer um treinamento de pessoal. Com o prontuário, vamos minimizar os problemas”, afirmou.
REGIONALIZAÇÃO
Quanto à Regionalização, o diretor-administrativo descartou a possibilidade de trazer prejuízos ao hospital. “A princípio, o sistema seria interessante, primeiro, pelo ponto de vista da própria faculdade (UniFAE). A partir do momento que eu não tiver a Regionalização aqui, vou reduzir sobremaneira meu movimento e não vou ter casuística para os alunos (de medicina). Outro ponto é que traria prejuízo. Não é bem isso. O próprio SUS (Sistema Único de Saúde) é um sistema deficitário. E temos um fator agravante de que muitas cidades não tem hospital: fica muito confortável não ter um hospital na minha cidade e mandar todos os habitantes para serem atendidos onde tem”, finalizou.




