Por Ana Paula Fortes
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Com a popularização dos smartphones, a presença dos dispositivos nas salas de aula se tornou cada vez mais comum. Apesar das vantagens, como acesso rápido a informações e recursos educacionais, muitos professores relatam que os celulares têm sido uma fonte constante de distração, dificultando a concentração dos alunos e prejudicando o desempenho acadêmico.
Diante disso, um projeto de lei, de iniciativa do Ministério da Educação, deverá ser levado para discussão em Congresso Nacional ainda neste mês de outubro. A iniciativa integra um conjunto de ações voltadas para diminuir o uso excessivo de telas entre crianças e jovens, visando aprimorar a atenção dos alunos em sala de aula. A medida, se aprovada, será válida para todas as escolas do país, públicas e particulares.

REGRAS ATUAIS
De acordo com uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino (CNEE), 73% dos educadores entrevistados afirmaram que o uso excessivo de celulares está interferindo no aprendizado dos alunos. Em resposta, diversas escolas têm adotado regras mais rígidas sobre o uso desses dispositivos.
A proibição do uso de celulares em sala de aula é um reflexo das transformações que o sistema educacional enfrenta. Embora a medida tenha o potencial de melhorar a concentração e o aprendizado, é essencial encontrar um equilíbrio que permita o uso consciente da tecnologia. O desafio é promover um ambiente de aprendizado que não apenas minimize distrações, mas também prepare os alunos para os desafios do século XXI.
A maioria das escolas de São João permite que o aluno utilize o celular nos intervalos das aulas e no recreio, porém, é proibido o uso durante as aulas e em alguns casos a punição pode ser a retenção do aparelho, que será devolvido apenas na saída. Em caso e reincidência, o aluno poderá levar advertência.
A estudante do ensino médio, Ana Lívia Barbosa, 16, é a favor da medida adotada por sua escola, E.E. ‘Teófilo de Andrade’, que proíbe a utilização do aparelho em sala de aula. “Acredito que se não fosse assim não iríamos prestar atenção na aula para ficar interagindo digitalmente”.
Guilherme Henrique de Oliveira, 17, aluno do COC, concorda que o uso do celular atrapalha a atenção à aula, mas acredita que sua utilização deva ser flexibilizada. “O celular seria bem menos utilizado se seu uso não fosse tão restringido pela escola, porque a proibição é um chamariz para o adolescente, que acaba usando bem mais. Agora se a gente pudesse pegar para ver uma mensagem rapidinho, seria bem melhor”, arriscou.
Essa flexibilidade sugerida por ele acontece no Instituto Federal. Segundo Filipe Franco de Souza, 18, lá o uso dos celulares com bom senso é permitido e até mesmo incentivado, por alguns professores. “Quem faz o curso de técnico em Informática, como a gente, o celular é uma ferramenta essencial. Ajuda na realização de tarefas e ainda dá acesso rápido a conteúdos extras, deixando o aprendizado mais prático e interessante”, afirmou.
O que dizem os pais
Davis Vitor Junqueira tem duas filhas estudantes no colégio Integrado e considera que o ideal seria encontrar maneiras para que a utilização do dispositivo em sala de aula fosse melhor aproveitada. “O celular seria um mecanismo útil para o estudo, porém sabemos que os jovens não se focam apenas nisso, e acabam utilizando para entretenimento. Por esse motivo, eu acredito que deveriam ser criados mecanismos que dessem qualidade para o uso do aparelho na sala de aula”.
Essa é a mesma opinião de Karla Mourão de Oliveira, mãe de adolescente. “Concordo que o celular atrapalha a atenção dos alunos, porém, seria interessante se houvesse outra maneira, que não a proibição do uso. Porém, enquanto não houver um método que concilie o uso do celular com o ensino, sou favor da proibição”, finalizou.
Celulares nas escolas de outros países
A proibição, ou restrição do uso dos celulares já acontece em vários países como Canadá, Holanda, França, Espanha, Grécia, México, Estados Unidos e outros.
Nas escolas francesas, desde 2018, os alunos com até 15 anos estão proibidos de usar dispositivos conectados, como celulares, tablets e relógios, inclusive durante o recreio. Na Grécia e na Dina-marca, essa proibição começou no início deste semestre letivo; lá, os estudantes podem levar os celulares, mas devem mantê-los guardados na mochila durante as aulas.
A Flórida, em 2023, aprovou uma lei que exige que escolas distritais imponham regras para barrar o uso de celulares nas aulas. Na Holanda, a pedido do governo, as escolas estão alinhando as regras de uso com pais, professores e alunos, para avaliar no fim do ano letivo de 2024-2025 qual medida que deverá ser adotada. No Canadá, os smartphones foram banidos total ou parcialmente em algumas províncias.




