Livro de Pistelli terá lançamento do domingo

Por Clovis Vieira
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O livro ‘Enxergar as Crianças Cegas’, do artista e fisioterapeuta Luís Carlos Pistelli, será lançado no domingo (8), às 10h, na Academia de Letras de São João da Boa Vista. A entrada é gratuita.

Vindo a lume, primeiramente, como um e-book, a obra física vem coroar um esforço do autor, que faleceu recentemente, para iluminar uma questão pessoalmente enfrentada, já que era cego de nascença.

Autor: Pistelli deixou mais essa atividade em seu currículo (Reprodução/Via Google)

Produzido pela Editora UniFAE e pelo Instituto Dânia de Paula – Hub de Educação, o livro foi escrito em um mês e meio, “enquanto [Pistelli] enfrentava um inimigo cruel que apenas venceu o corpo, porque a mente brilhante e a alma radiante seguem vivas na memória e no coração de todos que tiveram a oportunidade de vivenciar seus múltiplos talentos” escreveu José Dias Paschoal Neto, editor da obra.

 UM GUIA

Neto, que acompanhou de perto a realização de ‘Enxergar as Crianças Cegas’, relata que na primeira parte do livro, Pistelli explica com clareza, objetividade e leveza, os conhecimentos da neurociência, contextualizando-os nas dificuldades neuropsicomotoras da criança com deficiência visual. O autor destaca “a notável importância da plasticidade cerebral que advém da estimulação social e cognitiva adequadas, em momento oportuno do desenvolvimento”, como destacou a profa. dra. Betânia Alves, revisora científica da obra, em seu texto de apresentação.

“O capítulo dedicado à participação da família é um guia!”, apontou Neto. Um roteiro, “escrito com conhecimento e coração”, para olhar a criança cega com foco nas suas potencialidades e não na deficiência, destacando o papel essencial da família para uma de suas principais ‘bandeiras’: a autonomia da criança cega para que se torne adulto independente.

Como Pìstelli mesmo contava, que se tornou independente graças à postura incentivadora dentro de casa, com o pai Etore, também deficiente visual, e a mãe Zilda. E fora de casa, com os colegas da infância na Getúlio Vargas, além dos adolescentes e amigos de uma vida. “O isolamento social é mais cruel do que a cegueira”, escreve Pistelli no tópico sobre as relações sociais.

Neto finaliza dizendo: “Este livro é um farol. Uma luz para atravessar as névoas da ignorância, do preconceito, da exclusão, e tantas outras, que turvam a visão e não nos permitem enxergar as crianças cegas como deveriam ser vistas”.

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