Tempo seco favorece as doenças respiratórias

Por Ana Paula Fortes
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O mês de agosto está chegando ao fim e se retira deixando para trás um enorme rastro de queimadas, não só em São João e na região, mas em grande parte do Brasil. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) registrou 2.316 focos de incêndio somente entre quinta e sexta-feira da semana passada. Esse número é cerca de sete vezes superior ao total de 352 incidentes registrados durante todo o mês de agosto do ano passado. Como resultado, o Estado de São Paulo lidera a lista de incêndios, superando até mesmo os estados da Amazônia Legal, que enfrentam uma temporada recorde de queimadas.

Cuidados: Crianças e idosos são os mais atingidos (Reprodução/Via Google)

A consequência dos incêndios e da baixa umidade do ar em um mês que já é tipicamente mais seco, favorece o aumento de doenças respiratórias, que atinge a todos, porém as principais vítimas são as crianças e os idosos.

Lacrimejamento, pigarro e sangramento nasal são alguns dos sintomas comuns provindos desse clima.

Sintomas

O ambiente seco resulta no ressecamento das mucosas, como o nariz e olhos, podendo gerar em sangramento do nariz, irritação na garganta, rouquidão e pigarro. A situação é ainda mais complicada para crianças, que ainda está com o sistema imunológico em desenvolvimento, idosos, e portadores de doenças crônicas respiratórias. “No nariz acontece a primeira barreira de proteção contra vírus, bactérias e ácaros, através de seu epitélio umidificado. Assim, em tempos secos e/ ou com queimadas, fuligens ou poluição, além do ressecamento da pele, acontece o ressecamento da mucosa nasal, o que já interfere muito nessa proteção natural das vias aéreas superiores”, explicou a pneumologista pediátrica Eliane Provenzano Herrera Rehder.

Segundo a médica as principais doenças a serem desencadeadas são: faringites, crises rinite alérgica, crises asma, falta de ar em pacientes com enfisema. “No pulmão, partículas de fuligem e queimadas levam a irritação de brônquios, com secreção inflamatório e favorece crises asma, diminuição oxigenação em pacientes crônicos como enfizemas, e esse combo inflamatório aumenta o risco de evolução para pneumonias”.

É muito importante que se dê atenção a alguns sinais para ida imediata ao Pronto Socorro. “Tosse em nítida piora, especialmente se atrapalha mamadas em crianças pequenas, ou se geram vários vômitos em qualquer paciente. Dor tórax ou nas costas especialmente se relacionados a respiração. Sensação de fadiga ao subir escadas ou caminhos habituais. Febre que ultrapassa 72 horas. Respiração cansada ou ofegante no peito. Gemencia especialmente em crianças pequenas e idosos”, ressaltou a pediatra.

 Como reduzir os riscos

Medidas podem ajudar a reduzir os riscos de bronquiolite e pneumonia, podendo evitar que a doença se desenvolva para casos mais graves, por exemplo, evitar o contato ou exposição da criança ou do idoso com outra pessoa contaminada, reforçar os cuidados básicos de higiene como lavagem frequente das mãos com água e sabão e limpeza dos objetos que podem estar contaminados, como brinquedos.

“Beber muita água, uso de umidificantes nasais como soro fisiológico, evitar exercício físico entre 10 e 15 horas, ligar umidificadores de ar por algumas horas em casa ou então colocar bacias com água em móveis mais altos de cômodos, não interromper de maneira nenhuma o tratamento de portadores de doença crônica, são algumas das maneiras de se reduzir os riscos”, finalizou a doutora Eliane.

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