Junho Laranja: Leucemia atinge milhares por ano no Brasil

Por Ana Paula Fortes
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Junho Laranja é uma campanha criada em 2011 pelo movimento ‘Eu Sou Sangue’ com o propósito de alertar as pessoas para as doenças do sangue, mais especificamente a anemia e a leucemia. A escolha do mês ocorre devido ao Dia Mundial da Doação de Sangue, comemorado no dia 14.

Por conta do tema, o Jornal O MUNICÍPIO trará nesta e na próxima edição informações de prevenção, sintomas e tratamento das duas principais doenças do sangue.

Tratamento: população deve realizar exames periódicos (Reprodução/Via Google)

Doenças do sangue

As doenças hematológicas são as enfermidades que comprometem a produção dos componentes do sangue, como as hemácias ou glóbulos vermelhos, que atuam no transporte de oxigênio no sangue, os leucócitos, conhecidos também por glóbulos brancos, que protegem o organismo de infecções e as plaquetas, responsáveis pela coagulação sanguínea.

Entre as complicações hematológicas estão anemias, linfomas, leucemias e mielomas. Elas podem se apresentar de forma benigna ou maligna.

Quando elas são benignas, elas têm a presença de células semelhantes às que os originaram, sem a capacidade de provocar metástases.

Já quando aparecem como formas malignas, as células são agressivas, tendo capacidade de infiltrar outros órgãos e podem formar um câncer.

Leucemia

A proliferação descontrolada de células, que causa a quebra do equilíbrio da produção dos elementos do sangue, é chamada de Leucemia. Segundo o hematologista Rogério Câmara Valsani, existem dois grandes grupos de leucemias: agudas, que são subdivididas em Linfoblásticas e Mieloblásticas, e as crônicas, em Linfocíticas e Mielocíticas. “As crônicas atingem mais comumente os idosos e as agudas pessoas mais jovens, apesar de que as duas podem surgir em qualquer idade, desde a infância”.

Apesar de os fatores causadores da leucemia ainda não serem completamente conhecidos pela ciência, já se tem estudos que indicam a relação entre alguns agentes e o surgimento da doença, como: exposição à radiação; compostos químicos como o benzeno, encontrado na gasolina e em cigarros, envelhecimento e doenças sanguíneas prévias.

“Não existe ainda uma correlação direta entre genética e as leucemias, embora os estudos atuais pesquisem exaustivamente alterações genéticas que possam ser de utilidade principalmente para os tratamentos”, afirmou o especialista.

Mundialmente, em 2020, foram estimados 475 mil casos de leucemia, 2,5% de todos os tipos de câncer. Entre os homens, foram 270 mil casos novos, já entre as mulheres foram 205 mil casos de leucemia. Em 2020, o Brasil registrou 6.738 óbitos por leucemia segundo pesquisa feita pelo Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca).

Sintomas

São diversos os sinais que a leucemia apresenta, dentre eles está a anemia, manchas roxas pelo corpo, sangramentos pelo nariz, gengivas, em outros lugares. “Além disso, o paciente pode ter febre, dores nas pernas, cansaço extremo, aumento do baço, aumento dos gânglios linfáticos que não diminuem de tamanho”, complementou.

Diagnóstico

O hemograma é o exame indicado para avaliar as condições em que se encontram as várias séries do sangue, principalmente, se houve um aumento significante de glóbulos brancos. “Utilizamos também de ultrassonografia/tomografia do abdômen, outros exames específicos e até uma punção da Medula Óssea”, disse.

Tratamento

Valsani explica que o tratamento é feito por meio de quimioterapia com diferentes medicamentos e, se houver indicação também poderá ser realizado transplante de medula óssea.

 Prevenção

Não existe maneiras específicas para prevenir a leucemia. Segundo o médico, é muito importante para qualquer pessoa manter estilo de vida saudável, alimentação variada, sono adequado. “É de extrema importância a realização de avaliações periódicas, pois o diagnóstico precoce promove melhores resultados no tratamento, inclusive a cura”, alertou.

Apesar do grande número de casos, a leucemia pode ter cura e os tratamentos proporcionam, cada vez mais, alternativas. Segundo dados divulgados pelo escritor e oncologista Drauzio Varella, a taxa de cura de leucemia linfocítica aguda chega a 90% dos casos. Ele afirma que 2/3 dos pacientes com leucemia mieloide aguda chegam à remissão da doença, mesma estatística para os com leucemia mieloide crônica. Pacientes com leucemia linfocítica crônica muitas vezes fazem apenas acompanhamento médico, sem a necessidade de um tratamento.

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