Dupla sertaneja sanjoanense vai a evento rural em cidade mineira

Por Clovis Vieira
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No dia 13 de abril, a dupla sertaneja de raiz Júlio Seda e Rafael representou São João da Boa Vista no evento ‘Cavalgada de Aleluia’, de Ibiraci (MG). O encontro é tradicional evento rural que ocorre no bairro Peixoto, daquela cidade, às margens do Rio Grande, atraindo grande número de simpatizantes do tema. O show musical que movimentou cavaleiros e participantes foi feito pelos dois sanjoanenses.

Dupla sertaneja: Júlio Seda e Rafael fizeram show que recebeu cavaleiros em Ibiraci (Clovis Vieira/O MUNICIPIO)

Próxima de completar 20 anos de estrada, a dupla se apresenta mais em festas fora da cidade e em festivais sertanejos. “O primeiro festival que nós participamos foi em Águas da Prata, onde vencemos em primeiro lugar”, lembrou Júlio Seda. Recentemente, um programa inédito com eles foi ao ar pelo Canal Rural e Canal do Criador: ‘Brasil Caipira’, sob o comando de Luiz Rocha. Os rapazes também têm boas lembranças do extinto programa da Globo: ‘Viola de Todos os Cantos’.

SUCESSO

O festival ‘Viola de Todos os Cantos’ reuniu, entre 2003 e 2015, artistas de todos os cantos do País para manter viva a tradição das modas de viola e a música de raiz. Era produzido e apresentado pela Rede Globo. O site desse projeto aponta que foram 11 edições, milhares de participantes e um público ‘que dava show de animação’. “Em 2008, nós participamos do ‘Viola’, com música de minha autoria e pegamos o 3º lugar. No ano seguinte, participamos de novo e fomos os campeões do programa!”, orgulhou-se Seda.

O sucesso abriu inúmeras portas à dupla e os levou por duas vezes ao programa ‘Viola, Minha Viola’, de Inezita Barroso. “Hoje, o nosso público ficou um pouco restrito; a gente se apresenta mais em festas particulares, em casas de shows e restaurantes que nos contratam, mas não nesta nossa região”, lamentou Rafael. Ele afirma estar percebendo que a cultura sertaneja de raiz está enfraquecendo em termos de interesse do público. “Então, a gente se apresenta mais em cidades de Minas Gerais, onde somos muito bem quistos”, disse.

SEM ESSÊNCIA

Entendendo esse ofício quase como um ‘hobby’, Júlio Seda e Rafael admitem que “não dá para sobreviver somente com esse trabalho; não tem como a gente abandonar a nossa profissão do dia a dia para viver só da música”. Os artistas têm consciência de que a música que tocam e cantam não tem apelo comercial e isso restringiu a faixa de público que prefere ouvir o chamado ‘sertanejo de raiz’, a música caipira mais original.

Eles confessam já terem pensado em acrescentar ao repertório músicas que têm feito sucesso por serem mais comerciais, por vezes até mais apelativas em suas letras. Mas há uma barreira que os impede de seguir por esse caminho: “Esse tipo de música foge da nossa origem; hoje, a música sertaneja sofreu muitas mutações, modernizando-se talvez para atender o gosto de novas gerações. Ela chegou num patamar no qual a essência sertaneja já não existe mais nela, é um pop, misturado com funk… um trem muito bagunçado”, finalizou, rindo da comparação.

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