Família Bovo e a Farmácia: história de amor e trabalho

Por Ana Paula Fortes
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No dia 29 de fevereiro, com a venda da farmácia Queops, a família Bovo encerrou um capítulo de quase meio século de história com esse comércio. Lola, João e Carminha dedicaram suas vidas “a cuidar, à promover saúde, à salvar vidas”, como disse certa vez Carlos Drummond de Andrade em referência aos farmacêuticos.

Ao contrário do que se imagina, foi a farmácia que escolheu os Bovo, mas o amor não demorou a acontecer, foi à primeira vista. E esse amor têm início em 1963, com a mudança da família para a zona urbana de São João.

Família: Carmen, João, Lola e a matriarca Maria Bovo, uma vida dedicada ao trabalho (Divulgação/Arquivo Pessoal)

SAUDADES

Maria Carmem Bovo, a Carminha, rememora com visível saudade, os tempos em que essa história começa. “Foi no início da década de 1960, após o falecimento de meu pai, que mamãe decide se mudar para a cidade na busca de melhores oportunidades. Chegando aqui, ela vai trabalhar numa quitanda, arruma emprego para meus irmãos, Lola e João, que contavam nessa época com 13 e 10 anos respectivamente.  Lola vai para a Lavanderia Moderna e João para a Farmácia Nossa Senhora Aparecida, dos saudosos senhores José Lopes e José Trafane”, contou.

No ano de 1969, José Trafane, que havia separado a sociedade e comprado sua própria farmácia, Drogafani, decide colocá-la à venda pois iria se mudar da cidade. “Minha mãe enxerga ali uma oportunidade de realizar o sonho da família e ter sua própria farmácia. E com muita dificuldade, e de forma parcelada, ela compra a farmácia”, explica.

Carminha, então, com 12 anos de idade, começa a trabalhar meio período junto a seus irmãos. “Essa época me traz muita saudade. O João conhecia a fundo os problemas físicos de cada cliente e qual medicamento poderia ocasionar mais problema do que solucionar. Era enorme o amor pela profissão”.

FORMAÇÃO

Lola e João se formaram em Administração e Economia na UniFae. Lola também faz o curso em prática de farmácia, se tornando a responsável técnica da Drografani. Desde essa época, já era conhecida como a ‘Farmácia da Lola’. “Eu fui para Araraquara, em 1977, para cursar Ciências Farmacêuticas, na Unesp, e foi lá que me encantei pela homeopatia; isso me levou ao Curso de Especialização em Homeopatia, em Ribeirão Preto”.

Foi em 1989 que Carminha abre a Queops, a primeira farmácia de homeopatia da cidade, no início da avenida Brasília. “Mas eu nunca deixei a Drogafani. Me dividia entre as duas farmácias. Nessa época eu queria muito trazer a Queops para mais perto dos meus irmãos. E como tudo em nossa vida é orquestrado por Deus, o terreno quase em frente a Drogafani fica à venda”.

A Queops que nesse momento completava cinco anos, passa a funcionar na Saldanha Marinho, conforme os sonhos de Carminha. E nesse endereço permanece até hoje, 30 anos depois.

APOSENTADORIA

A Drogafani foi vendida em 2017, três anos após o falecimento de Lola. “Chega um momento da vida, em que precisamos cuidar da gente; passamos a vida inteira amando muito o que fazíamos, mas trabalhávamos em período integral. João decidiu que precisava se aposentar em 2017 e agora chegou o meu momento”, diz emocionada. Queops faz parte daquele grupo de prestadores de serviços que deixam sua marca na história da atividade comercial da cidade e no emocional do sanjoanense. “Nós atendemos muitos clientes, que se tornaram grandes amigos. Temos imensa gratidão por todos”, terminou.

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