Donizetti de Camargo mudou o Carnaval da cidade

Por Clovis Vieira
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Entre 1984 e 1996, Donizetti de Camargo, 63, atuou nos departamentos de Esportes e de Cultura, pasta que administrava as festividades do Carnaval de rua sanjoanense. Ao lado do saudoso Sebastião Álvaro Galdino, diretor à época, criou o “Vai Quem Quer”, um baile carnavalesco que atendia a população na tarde da segunda-feira, reunindo foliões na praça Cel. Joaquim José ao som de marchinhas e sambas: “Era um dia ‘morto’ na cidade, perante o domingo e a terça, quando as escolas de samba desfilavam na avenida”, contou.

(Arquivo pessoal)

Em seguida, implantou a mesma atividade nos domingos para atender às crianças. O local era o mesmo, a praça Cel. Joaquim José, em frente o palanque onde ficavam as autoridades do município.
Ali ficavam também os convidados especiais para o julgamento das escolas de samba. Em geral, os jurados eram artistas da Rede Globo, a maioria amigos de Donizetti, que traziam seus colegas atores e atrizes. A estadia desse pessoal era custeada pela Prefeitura e o sucesso do carnaval de rua era garantido.

FANTASIAS

Outra criação de Donizetti para o Carnaval da cidade foi o concurso de fantasias, que acontecia no interior do Centro de Integração Comunitária (CIC). “Durante seis anos, nós conseguimos atrair para São João os grandes carnavalescos de todo o País, que chegavam com suas fantasias maravilhosas, encantando o público que superlotava o CIC”, lembrou. Esses encontros foram a oportunidade de muitos sanjoanenses também se destacarem com suas criações; entre eles Fernanda Carraro, Reginaldo Rodrigues, o ‘Cotonete’, Caco Reis e Luiz Carlos Queiroz, o ‘Jack Leclair’. E, ainda, a implantação do concurso de Rei e Rainha do Carnaval.

Com relação ao Carnaval de Rua, Donizetti avalia como “uma época maravilhosa para São João, pelas muitas escolas de samba que desfilavam pela avenida Dona Gertrudes”. Ele se lembra que, em 1988, foi criada a Escola de Samba Unidos da Vila, do Jardim 1º de Maio, com uma diretoria composta de grandes amigos. O desfile na avenida foi um acontecimento que mobilizou a público: com a letra do samba em mãos, cantaram junto e desceram a avenida com os integrantes e a bateria.

O RETORNO

Falta de vontade política é a causa principal, segundo Donizetti, para o desaparecimento do carnaval de rua como foi um dia. “Já naquela época de ouro, muita gente dizia que o valor investido ali era um dinheiro jogado fora; mas o retorno era muito grande, as pessoas superlotavam a avenida, muito bem decoradas, para assistir aos desfiles”. As escolas de samba não conseguem sozinhas fazer um carnaval de rua, ele aponta. “É preciso que a Prefeitura, a Câmara Municipal e o departamento responsável aprovem verbas para isso”.

Para confirmar o gosto que o público tem para eventos assim, Camargo cita a ‘Parada de Natal’, evento que tem a parceria da Associação Comercial e Empresarial (ACE São João) e atrai para a avenida multidões de sanjoanenses e de turistas. Com relação à volta dos eventos carnavalescos de rua como antes, ele só vê solução se a municipalidade acenar com verba especial, segurança suficiente e empenho político. “Aquelas agremiações definharam, sumiram, mas voltariam sim, se houver interesse de todas as partes envolvidas”, concluiu.

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