Por Ana Paula Fortes
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As autoimunes são doenças que muitos já ouviram falar, mas poucos sabem exatamente o que são, ainda que elas atinjam mais de 500 milhões de pessoas no mundo, segundo a Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL).
Para melhor entender o assunto, o Jornal O Municipio fará uma série de matérias envolvendo o tema, desde a prevenção ao tratamento.

SISTEMA IMUNOLÓGICO
As doenças autoimunes surgem quando o próprio sistema imunológico funciona de forma inapropriada, passando a produzir anticorpos contra componentes do próprio organismo. Sem nenhum motivo determinante o corpo perde a capacidade de reconhecer suas próprias proteínas e as confunde com antígenos, que são agentes invasores, passando a atacá-las e dando então origem a um grupo de doenças distintas.
Uma das explicações é de que, após sofrer a invasão de um agente causador de doenças, o sistema imunológico passa a criar anticorpos contra uma proteína que é muito parecida com outra que já existe no corpo.
“Todo mundo possui imunidade que tem o objetivo de combater agentes externos, porém, em algumas pessoas esse sistema se descontrola e, ao invés de defender o organismo começa a atacá-lo. E isso pode acontecer com inúmeros órgãos ao mesmo tempo, como no Lúpus ou preferencialmente nas articulações, como na Artrite Reumatóide”, explicou o médico reumatologista dr. Luis Henrique Savoi de Almeida.
TIPOS DE DOENÇAS
A Autoimmune Association, orgão americano de apoio ao combate às doenças autoimunes, lista mais de 100 tipos diferentes. Dentre as mais conhecidas estão: diabetes Tipo 1, lúpus, psoríase, esclerose múltipla, artrite reumatóide, vitiligo e doença celíaca.
O que irá determinar a gravidade de uma doença autoimune para o organismo é a importância do órgão afetado, principalmente aquelas que atacam orgãos e estruturas indispensáveis como o coração, pulmões ou sistema nervoso central.
Uma produção inapropriada de anticorpos contra as células do pâncreas pode levá-lo à sua destruição e, portanto, à falta de produção de insulina suficiente para fazer com que a glicose entre nas células e permaneça na corrente sanguínea, ocasinando na Diabetes Tipo I.
É importante ressaltar que não existe uma especialidade médica específica para doenças autoimunes. No caso da Diabetes o tratamento é realizado por um endocrinologista, assim como no caso da tireoidite de Hashimoto, que também é uma doença autoimune.
“As doenças autoimunes, na maioria das vezes, requerem acompanhamento multidisciplinar. Estamos sempre interligados a outras especialidades. A reumatologia com nefrologia, com cardiologia, com pneumologia, dermatologia, nutricionista, psicólogos. Precisamos sempre buscar uma visão ampla”, explicou Almeida.
DIAGNÓSTICO
Diagnosticar uma doença autoimune é desafiador, pois os sintomas podem variar amplamente e imitar outras condições médicas. Segundo o especialista, não existe apenas um exame que seja determinante para o diagnóstico.
“Muitas pessoas têm nos procurado com resultado positivo do exame de fator nuclear (Fan) acreditando portar com uma doença autoimune. Mas esse resultado não significa que elas estejam com alguma doença. De maneira geral 13% dos exames positivos de FAN não significam doença. É preciso avaliar os sintomas e realizar outros exames para um diagnóstico definitivo”, disse.
De acordo com o reumatologista, é extremamente importante que a pessoa conheça seu corpo e observe qualquer tipo de alteração. “É essencial que se observem mudanças no organismo, principalmente lesões na pele, manchas que pioram no sol, mudanças que surgem repentinamente, pois a maioria das doenças autoimunes é adquirida”, afirmou.



