Por Marcelo Gregório
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De férias dos livros e cadernos na Escola Estadual ‘Isaura Teixeira de Vasconcellos’, no Jardim Lucas Teixeira, em São João da Boa Vista, o adolescente F. H., 13, utiliza parte do tempo livre para fazer atividades esportivas (futsal e vôlei). No entanto, a maior parte do dia é ocupada com os olhos no celular, em jogos divertidos, e pela smart TV, conectada ao YouTube, para assistir a desenhos, séries e outras atrações.
Esta é a rotina de boa parte dos alunos, porém, por mais atraentes que sejam, especialistas orientam que crianças e adolescentes controlem a exposição ocular prolongada aos aparelhos (celulares, tablets, notebooks) com a finalidade de evitar prejuízos à saúde mental e ao desempenho no aprendizado escolar. O convívio familiar também pode ser afetado gerando conflitos dentro das residências devido ao hábito.

MEDIDAS CONTUNDENTES
Diante dos riscos, há Prefeituras no Brasil adotando medidas. No Rio de Janeiro (RJ), por exemplo, a Secretaria Municipal de Educação abriu consulta pública esta semana para proibir o uso de telefones nas escolas a partir de 2024. Atualmente, os alunos podem usar os aparelhos apenas nos intervalos ou em sala para atividades escolares específicas.
MUNICÍPIOS PAULISTAS
Já nos 645 municípios paulistas, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) informou ao O MUNICIPIO que não tomará medidas consideradas drásticas quanto ao uso do celular, pois em sala de aula é permitido exclusivamente para finalidades pedagógicas. “A pasta apoia a integração das tecnologias e o uso de aplicativos em prol do fortalecimento das práticas pedagógicas e dos processos de ensino de aprendizagem. A Seduc-SP disponibiliza ferramentas digitais como o Centro de Mídias SP e o Aluno Presente, que auxiliam a comunidade escolar. Deste modo, a Secretaria fomenta o uso das tecnologias para apoio da aprendizagem”, explicou o órgão paulista por meio de nota.
O órgão paulista destacou que “todas as questões que envolvem a convivência no ambiente escolar, incluindo o mau uso das tecnologias, são mediadas por meio das diretrizes do Programa de Melhoria da Convivência e Proteção Escolar (Conviva-SP), que prevê o diálogo entre estudantes e gestão escolar e, quando necessário, a presença dos pais e responsáveis, de forma que o direito à educação seja garantido.
PERMISSÃO EM SÃO JOÃO
Em São João, segundo informou o Departamento Municipal de Educação, nas escolas e creches, o uso de telas pode variar os procedimentos de acordo com a faixa etária e como a ferramenta auxiliar no processo ensino-aprendizagem. “Celulares não são permitidos nas escolas sem que haja planejamento de aulas e de horários de uso. O contato com telas acontece através do uso dos chromebooks uma vez por semana, sob orientação do professor e suporte do monitor de informática. Precisa ter intencionalidade e planejamento na utilização”, explicou a diretora da pasta, Eloísa Helena Rodrigues Matielo Ribeiro.
No ensino fundamental, chromebooks são utilizados nas aulas de informática com a duração de 50 minutos por semana. Os programas reforçam o conteúdo do ensino regular. “Em relação às TVs implantadas em todas as salas de aula, são utilizadas como recurso pedagógico para o complemento das atividades do material Sesi, nas datas comemorativas, musicalização para despertar e ampliar o repertório infantil e nas músicas clássicas instrumentais para o horário do sono”, pontuou Matielo.
RECURSO ALIADO
Já nas creches, as TVs também são aliadas na contação de histórias com músicas relaxantes para reproduzir histórias do YouTube, como forma de enriquecer e tornar a prática pedagógica diária mais atrativa.
“Os tablets são aliados para despertar o interesse dos alunos com deficiência. Para finalizar, a tecnologia em sala de aula pode ser poderoso recurso aliado da aprendizagem, com técnica, planejamento e sob a supervisão do adulto.
Ensinar a filtrar as informações disponíveis também é tarefa de educadores, considerando que elas estão presentes no cotidiano de bancos, supermercados, televisores e na vida de todos. Enquanto não possuem autonomia e maturidade para selecionar, a criança deve ser acompanhada e orientada pelo adulto que pode ser o professor na escola e os pais em casa”, concluiu Eloísa.




